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CONSELHEIRO DENUNCIA GOLPE NA SAÚDE
Redação
Não é novidade para ninguém que o sistema público de saúde em nosso país passa por dificuldades imensas. Porém todos sabemos que não há uma sistema de inclusão social como o SUS.
Sabemos que os recursos são poucos para atender toda demanda da população, sabemos que os médicos ganham pouco e que os profissionais de saúde, em geral, precisam trabalhar em muitos lugares para fazer um salário compatível com sua formação. Ou seja, das dificuldades todos temos conhecimento.
Há várias alternativas sendo estudadas. Destas a que ganhou respaldo junto ao Ministério Público é a Fundação Pública de Direito Privado, que tem como objetivo dar mais agilidade ao sistema. Contudo, essa proposta encontra muita resistência junto ao sindicatos e aos profissionais, pois há muita dúvida sobre a situação dos estatutários, já que os demais funcionários seriam contratados por CLT e teriam um salário muito maior. Esse modelo está sendo implantado nos hospitais federais e estaduais, mas de forma muito lenta.
A escolha de se começar, ou se tentar uma mudança de administração pelos hospitais se deve a complexidade administrativa para gerí-los. O cenário hospitalar, mesmo que em um hospital de pequeno porte é muito diversificado, e envolve muitos atores, daí a dificuldade para tocá-lo. Além disso, a morosidade no processo administrativo prejudica o funcionamento rotineiro, o que aumenta a distensão de forças.
Porém, nada disso justifica a privatização, ou a entrega de um equipamento público como o hospital a organismos terceirizados, cujo objetivo é pura e simplesmente o lucro.
Na reunião do Conselho Municipal de Saúde de outubro passado, o Secretário de Saúde de Maricá, Dr. Marcos Victoriano admitiu, após ser questionado pelo Conselheiro Vicente, representante de Itaipuaçú, que a atual administração está estudando formas que terceirizar o hospital.
Enquanto isso, o que se observa é um descaso total com o Hospital Municipal Conde Modesto Leal, os médicos estão com os salários atrasados, faltam várias especialidades e nos dias 28 e 29 de novembro o corpo clínico estava totalmente desfalcado, tendo somente um profissional para o atendimento de urgência.
Não tinha pediatra, não tinha cirurgião, não tinha ortopedista e dos quatro clínicos só um apareceu. Segundo relatado pelos profissionais, o Secretário e a Diretora do Hospital estão cientes dos fatos e a resposta dada pelo prefeito é que "deixe explodir".
Fora os problemas administrativos, o que mais nos causa indignação é o descaso com o ser humano. Quantas pessoas precisaram morrer para que alguma coisa seja feita? É muita crueldade com um povo que precisa deste equipamento.
Trata-se de um golpe anunciado e que se não nos mobilizarmos vamos sofrer as conseqüências.
A idéia da atual administração é entregar o hospital para uma empresa ou organização não governamental, a fim de privatizar vários serviços.
Só a nossa participação garantirá que sejamos ouvidos e assim impediremos que o município seja destruído, ou melhor vendido.
Participe da reunião do Conselho Municipal de Saúde que se reunirá no próximo dia 15 de dezembro, às 17 horas na Câmara Municipal. E você profissional de saúde participe das reuniões da Associação dos Profissionais de Saúde de Maricá.
Esse é o pouco de cada um de nós que se fará muito por nosso município
Sandro Ronquetti
Conselheiro Municipal de Saúde
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