Art Pedra
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Justiça cancela audiência pública |
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JUSTIÇA CANCELA
AUDIÊNCIA PÚBLICA QUE PRETENDIA AUTORIZAR A CONSTRUÇÃO DE MEGA-DEPÓSITO
DE
LIXO QUÍMICO E INDUSTRIAL EM PARACAMBI QUE COLOCARIA EM RISCO
O RIO GUANDU
QUE ABASTECE 8 MILHÕES DE PESSOAS NO GRANDE RIO
Hoje
à noite (dia 30/10) a Juiza de Paracambi, Dra. Luciana Fiala de
Siqueira
Carvalho, deferiu favoravelmente 2 Ações Populares Ambientais
impetradas pelo
ecologista Sérgio Ricardo e pela ONG Quinto Elemento e
cancelou a Audiência
Pública convocada pela Secretaria Estadual de Meio
Ambiente, FEEMA e CECA
para licenciar a implantação de mega-depósito de lixo
químico e industrial
de propriedade da empresa Essencis a ser instalado no
Município de Paracambi,
na bacia hidrográfica do Rio Guandu, colocando em
risco e vulnerável o abastecimento
de 8 milhões de pessoas na Região
Metropolitana do Rio de Janeiro
e na Capital (Rio de Janeiro).
A
Juiza concluiu que o processo de licenciamento ambiental da Essencis não
salvaguardava
os interesses da sociedade e que houve pouca publicidade na
divulgação
dos estudos técnicos do projeto, o que limitava a participação da
comunidade
na audiência. Também avaliou que não houve prévia consulta ao
Comitê
de Bacia Hidrográfica do Rio Guandu e nem ao Conselho Gestor da APA do
Guandu,
que são órgãos de gestão colegiada; e que também não foram realizados
o
estudo de Sinergia previsto na lei estadual No. 3111, que são
obrigatórios
antes da concessão da licença.
Em sua decisão que
suspendeu a audiência prevista para hoje, as 19hs, no Cine
Imperial de
Paracambi, a Juiza afirma ainda que o empreendimento industrial
por seu
potencial poluidor afetará a saúde e colocará em risco o abastecimento
de
água para grande parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A
liminar
obriga ainda o governo do estado e a empresa a realizarem
audiências
públicas, tantas quantas forem necessárias, nos diversos
municípios da bacia
drenante do Rio Guandu: Rio, Nova Iguaçu, Seropédica,
Paracambi, Queimados,
Japeri, Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Mendes etc.
A mega-lixeira industrial (aterro), com investimento projetado de R$
18 milhões,
está projetada em plena área de influência da APA-Área de
Proteção Ambiental
do RIO GUANDU, e tem capacidade de disposição de 2 milhões
de m3 de resíduos,
com disposição anual de 10 mil
toneladas/ano.
Uma multidão de moradores estava presente hoje no
cinema da cidade, a maioria
se manifestando contra a construção do depósito
de lixo perigoso na cidade.
Os autores das ações judiciais alegam que é
ilegal e inapropriado tecnicamente
a instalação numa área de manancial e APA
de uma central de tratamento
de RESÍDUOS INDUSTRIAIS CLASSE I PERIGOSOS,
compreendendo ainda unidade de blendagem
de resíduos para destinação em
co-processamento, aterro industrial
classes IIa e IIb, unidade de tratamento
de efluentes líquidos, unidade de biopilha
e galpão de estocagem de resíduos
industriais.
O município de Paracambi tem população de
aproximadamente 40 mil habitantes
e encontra-se em uma área de várzea
incrustada na Serra do Mar, contribuindo
em sua rede de drenagem com o Rio
dos Macacos um dos mais importantes rios
tributários do Ribeirão das Lages,
que vem a ser o principal rio tributário
da Bacia do Rio Guandu, responsável
pelo abastecimento de 8 milhões de habitantes
da região metropolitana do Rio
de Janeiro. Além disso, o município de
Paracambi está inserido na área de
abrangência da APA-Área de Proteção Ambiental
do Rio Guandu, no limite das
regiões da Baixada Fluminense com a Região
do Centro Sul
Fluminense.
Paracambi mantêm grande parte de seu território com
vocação Rural e principalmente
com áreas de grande importância para o
Ecoturismo Regional, principalmente
no que tange ao desenvolvimento de
atividades de esporte de aventura.
Próximo à área do Parque
Industrial de Paracambi, no Município de Seropédica,
encontra-se a Unidade de
Conservação FLORESTA NACIONAL MÁRIO XAVIER, na antiga
estrada RIO/SÃO PAULO
- Km 51- SEROPÉDICA-R.J
De acordo com o ecologista Sérgio Ricardo,
fundador e ex-membro do Comitê de
Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, "há risco
real ao abastecimento público da
Região Metropolitana e da Capital (Rio de
Janeiro) com a possível instalação
de um mega depósito de lixo químico nas
proximidades do Rio Guandu. Caso
ocorra algum acidente os impactos seriam
irreversíveis, com ameaças ao abastecimento
de água potável e, portanto, à
vida de milhões de pessoas. É uma irresponsabilidade
os órgãos ambientais do
estado (FEEMA, CECA e da Secretaria
Estadual de Meio Ambiente) sequer
cogitarem a hipótese de autorizar a construção
desta poluidora lixeira
industrial numa região considerada Área de Proteção
Ambiental (APA do RIO
GUANDU) e em área de manancial. A cidade de Paracambi
não tem parque
industrial significativo, pelo contrário é uma região de
perfil
essencialmente rural. Por isso, considero esta escolha locacional
equivocada
é um ato de Racismo Ambiental já que os governantes e uma grande
empresa
poluidora escolheram sem critérios técnicos transparentes e
democráticos
este município para ser transformado na lixeira industrial da
Região Metropolitana.
O projeto da Essencis também prevê que Paracambi
receberá lixo industrial
das zonas industriais da cidade do Rio de Janeiro,
da Baixada Fluminense,
do Médio Paraíba (RJ), do Vale do Paraíba paulista, da
Região Metropolitana
de SP e da Grande Belo Horizonte, sendo que estas
regiões brasileiras
correspondem a cerca de 60% do volume de geração de
resíduos tóxicos no país!
Isso vai condenar esta cidade a ser vista
eternamente como um grande cemitério
de lixo químico, altamente perigoso e
danoso à saúde pública. Paracambi
não pode ser transformada na lixeira
industrial da Região Metropolitana,
não queremos uma nova de Cubatão em nosso
estado!", alerta.
Já o Prof. Felipe da Costa Brasil, Agrônomo e
Coordenador de cursos na área
ambiental em Vassouras, destaca "a
vulnerabilidade ambiental da região em especial
dos corpos hídricos, como os
rios do Macaco e o guandu, bem como o Sistema
Ribeirão das Lages. A vocação
das cidades da região é para o Ecoturismo,
o turismo rural, a agricultura
agrecológica e a produção de alimentos para
os centros urbanos. É um grande
equívoco instalar um grande depósito de lixo
químico numa cidade que nunca
teve característica de área industrial. Há
graves riscos à saúde e aos corpos
hídricos, afirma.
EMPREENDIMENTO TEM HISTÓRICO DE
ILEGALIDADES:
A Resolução CONAMA 01/86 determina que qualquer
licenciamento de IMPACTO REGIONAL
que exija EIA/RIMA deverá ser amplamente
debatido com a população das
áreas de influência direta e indireta do
empreendimento, quantas vezes for necessário.
Só após o convencimento da
sociedade é que o órgão ambiental poderá
autorizar a liberação da
LP.
O que ocorre, é que existem algumas questões importantes que
devem ser
esclarecidas e questionadas sobre este pedido de Licença, como por
exemplo,
a grande insistência dos gestores públicos municipais em aparelhar
o
município de Paracambi com empresas de natureza suja e poluidora há mais
de
5 anos.
Inclusive tendo revogada pela maioria dos vereadores,
sem ouvir a população,
uma Lei municipal que até os 2 últimos anos não
permitia a entrada deste tipo
de empreendimento no município. Lei esta que
foi referência Nacional para
outros municípios ameaçados por depósitos de
lixo químico e industrial. Sabe-se
que existe uma histórica luta no Brasil
entre os moradores de Curitiba
e Magé contra esta mesma empresa, e que a
mesma já tentou por inúmeras vezes
se instalar em Seropédica e Paracambi, não
obtendo êxito, sendo amplamente
combatida por representações importantes da
Sociedade Civil organizada.
Até hoje não foi aprovado pela Secretaria
Estadual de Meio Ambiente o Plano
de Manejo desta APA, que com certeza não
irá permitir este tipo de empreendimento:
o Conselho Gestor da APA, que a
exemplo de outros similares deveria ter
a participação dos moradores e
movimentos sociais, nunca saiu do papel!.
A Audiência Pública está
causou um grande transtorno na cidade, com um grande
clamor público contrário
ao Licenciamento no Município, uma vez que os impactos
positivos propostos
estão baseados em promessas de empregos (o que sabemos
não ser o ideal, uma
vez que a mão-de-obra absorvida de Paracambi seria
irrisória) e o recebimento
de parte do Lixo da cidade por um período de 4 anos,
o que é um absurdo! O
Aterro Sanitário prometido desde 2003, e o encerramento
do LIXÂO da Cidade,
que dobrou de volume nos últimos 5 anos não foram
realizadas pela
Prefeitura.
A população está revoltada porque a menos de 2 anos,
estiveram todos
reunidos em uma Audiência Pública para o licenciamento do
Aterro Sanitário
de Paracambi (Que tem a LP concedida pela CECA/FEEMA), onde
foram prometidos
mundos e fundos, e nada saiu do papel. Sabe-se inclusive que
foi ventilada
a vinda de um aterro coletivo (4 municípios) para a
cidade.
Também há dois anos o Deputado Dionísio Lins - PP, solicitou
uma Audiência Pública
ao Deputado André do PV (Presidente da Comissão de Meio
Ambiente da ALERJ),
para discutir a intenção da empresa Essencis em se
instalar em Paracambi.
Na audiência pública, ficou constatada a indignação de
vários moradores,
técnicos e ecologistas e por diferentes autoridades do
setor ambiental sobre
a escolha da empresa por Paracambi. O deputado André do
PV, inclusive se
comprometeu a realizar uma vistoria na sede da empresa em
Magé, e uma Audiência
Pública em Magé e outra em Paracambi, que não foram
realizadas. Desta maneira,
os trabalhos da Comissão de Defesa do Meio
Ambiente ainda não foram concluídos,
o que poderá ser visto na ATA da
Audiência pública publicada nos
ANAIS da ALERJ.
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