Enquanto a população de Maricá clama por atenção e o legislativo municipal parece ser mero espectador, o prefeito Quaquá protagonizou mais um capítulo de sua política de relações internacionais.
Longe dos olhos e da voz dos maricaenses, o chefe do executivo firmou em Cuba um acordo que declara Maricá e Havana como “cidades-irmãs”.
A notícia veio à tona por meio de uma postagem nas redes sociais, revelando um jantar cordial entre Quaquá e a governadora de Havana, Yanet Hernández Pérez, na sede do governo municipal cubano.

Na ocasião, um documento selou a parceria entre as cidades, teoricamente visando um intercâmbio cultural, social e econômico.
Quaquá aproveitou o encontro para convidar a representante cubana para a Assembleia Geral dos Prefeitos e Municípios dos Brics+, que Maricá sediará no final de maio.
A experiência recente sugere que, seguindo o “protocolo Quaquá”, os custos da participação cubana, assim como ocorreu no evento internacional da Utopia, recairão sobre os cofres públicos de Maricá.
Essa ação expande a já notória atuação internacional da gestão municipal, que tem buscado aproximações com países do Brics.
No entanto, mais uma vez, a pergunta que ecoa entre os munícipes é: qual será a contrapartida concreta para o povo de Maricá?
A troca de presentes marcou o encontro. Quaquá recebeu uma reserva especial de rum e presenteou a governadora com o pavilhão da União de Maricá e uma camisa da entidade.
Um detalhe, contudo, não passou despercebido: o presente do prefeito pareceu mais alinhado a seus projetos pessoais do que à rica história e identidade de Maricá, alimentando a percepção de que a cidade se tornou um palco para seus interesses particulares.
Alimentando a esperança de que a relação com Cuba, vista por ele como uma nação rica e com um povo “feliz” pronto a auxiliar Maricá, renda frutos, Quaquá estendeu um convite à governadora para conhecer o carnaval carioca na Marquês de Sapucaí em 2026.
Mais uma vez, a cortesia seria, presumivelmente, custeada pelos cidadãos de Maricá.
Enquanto Quaquá transita por palcos internacionais, a população e o comércio local enfrentam os desafios de uma administração que parece priorizar agendas externas em detrimento das necessidades do município.
Diante da falta de transparência e da ausência de debate público, paira a dúvida sobre a legalidade dessas iniciativas. Seria necessária a aprovação do Legislativo de Maricá para oficializar acordos dessa natureza?
A reportagem buscou informações e obteve uma resposta concisa, porém reveladora sobre a dinâmica política local: “Alguém acha que o colegiado irá reprovar algum desejo do Quaquá? São subservientes à vontade dele”.
Resta aos moradores de Maricá questionar até que ponto essa diplomacia unilateral trará benefícios reais para a cidade ou se configura apenas como mais um capítulo de uma gestão focada em projeção pessoal, custeada pelo bolso do contribuinte.
