O Processo de Eleições Diretas (PED) de 2025 do Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou contornos de crise com denúncias de compra de votos, disputas judiciais e o adiamento da votação em Minas Gerais, um dos maiores colégios eleitorais da legenda.
Em meio ao impasse, o prefeito de Maricá Washington Quaquá, figura de destaque na atual disputa interna, tem se movimentado nos bastidores, mostrando força política e articulação para ampliar sua influência mesmo diante de regras contestadas e um clima de instabilidade.
Quaquá não comemora vitória antecipada, mas tem deixado claro que sabe utilizar as fragilidades do processo a seu favor.
Com discursos fortes e ações coordenadas, ele se coloca como peça central na engrenagem partidária, buscando consolidar sua posição sem disfarçar os caminhos paralelos que percorre para chegar ao topo.
A tensão aumentou no fim de semana, quando a Justiça determinou a reinclusão da candidatura da deputada federal Dandara no pleito de Minas Gerais, após o partido tê-la excluído sob o argumento de inadimplência com as contribuições partidárias.
O PT alegou “impossibilidade logística” para reimprimir as cédulas que já estavam distribuídas e, diante disso, a Comissão Executiva Nacional decidiu adiar a votação no estado mineiro, com nova data ainda indefinida.
O caso será analisado na próxima terça-feira (8) em reunião do Diretório Nacional, que também discutirá outros processos movidos por filiados que questionam decisões internas do partido.
Enquanto isso, denúncias de compra de votos aumentam a pressão por transparência e lisura no PED.
A eleição interna deste domingo (6), que definiria as novas presidências estaduais e nacional do PT, agora ocorre sob forte questionamento. Os diretórios municipais têm um prazo para enviar os resultados ao sistema nacional, desde que acompanhados das listas digitalizadas de votantes exigência que busca garantir a legalidade do processo.
Nos bastidores, o que se vê é a tentativa de setores organizados em transformar o PED em um processo de controle político interno, mais do que de escolha democrática. Quaquá, com seu estilo pragmático e combativo, representa exatamente essa face da disputa: a do dirigente que prefere atalhos à espera dos trâmites.
Sua atuação não passa despercebida nem entre aliados, que reconhecem a estratégia agressiva, nem entre adversários internos, que acusam uma tentativa de capturar o partido por dentro.
O PED 2025, que deveria ser exemplo de democracia partidária, expõe rachaduras que fragilizam a imagem pública do PT e colocam em xeque a confiança de seus próprios militantes.