A terça-feira começou com a Polícia Federal batendo à porta do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE), suspeito de integrar um esquema criminoso de desvio de recursos públicos por meio de licitações fraudulentas.
A operação, batizada de “Underhand”, mira um suposto uso indevido de emendas parlamentares, que teriam abastecido contratos manipulados em municípios do Ceará para financiar ilegalmente campanhas eleitorais previstas para 2024.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados, em seu apartamento funcional em Brasília e em sua residência no Ceará. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R\$ 54,6 milhões das contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
Segundo a PF, o grupo criminoso direcionava verbas públicas a determinadas prefeituras em troca de vantagens ilícitas, manipulando licitações por meio de empresas ligadas ao esquema.
Embora as emendas parlamentares não sejam o foco principal da investigação, elas teriam servido como caminho para alimentar contratos que funcionaram como caixa 2 eleitoral. Os crimes apurados incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e compra ilícita de votos.
Em nota, Júnior Mano afirmou que não tem qualquer participação em processos licitatórios e reforçou que a execução das emendas é de responsabilidade das prefeituras.
O PSB na Câmara também se manifestou, dizendo esperar que o caso seja apurado com rigor.
Enquanto isso, em Maricá, no Rio de Janeiro, outro escândalo escorre pelas brechas da máquina pública, mas sem o mesmo peso das operações federais.
Denúncias feitas pelo vereador Ricardinho Netuno apontam o desaparecimento misterioso de um equipamento de mamografia que teria sido comprado com dinheiro público pela prefeitura.
O aparelho, que deveria servir à população no atendimento preventivo ao câncer de mama, simplesmente sumiu, e até agora, nenhuma resposta oficial foi dada.
A cada dia, novas denúncias emergem em Maricá envolvendo compras superfaturadas, abandono de obras públicas e uso político de recursos federais. No entanto, ao contrário do caso de Júnior Mano, que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após envolvimento direto ser apontado, os escândalos em Maricá seguem sem o devido enfrentamento das autoridades federais.
O que chama atenção é a disparidade no tratamento. Quando os holofotes se voltam para o Congresso Nacional, o rigor das instituições aparece.
Já nas cidades comandadas por grupos políticos influentes, como é o caso de Maricá, o silêncio institucional grita mais alto que qualquer sirene da Polícia Federal.
A sociedade cobra não apenas justiça, mas coerência. Onde há fumaça, há fogo , e onde há dinheiro público envolvido, é obrigação da Justiça investigar com o mesmo peso e medida.