A eleição de Diego Zeidan para a presidência estadual do PT no Rio de Janeiro já começa a provocar efeitos imediatos na estrutura da Prefeitura da capital fluminense e também nas disputas internas do partido.
Filho do atual prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), Diego deve deixar o cargo de secretário de Habitação para se dedicar integralmente à política partidária e, principalmente, à sua pré-campanha para deputado federal nas eleições de 2026.
A saída de Zeidan abre espaço para uma reacomodação estratégica de aliados no primeiro escalão da gestão municipal do Rio.
Segundo fontes próximas ao núcleo petista, o nome mais cotado para assumir a Secretaria de Habitação é o atual titular da pasta de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Adilson Pires um nome historicamente alinhado ao prefeito Eduardo Paes (PSD).
A mudança, que está em negociação avançada, seria mais um gesto de aproximação entre o PT e o governo municipal carioca.
No vácuo deixado por Adilson Pires em sua pasta atual, deve assumir o ex-vereador Edson Santos, uma figura conhecida por seu histórico como ministro da Promoção da Igualdade Racial no governo Lula, entre 2008 e 2010.
Apesar da baixa votação nas últimas eleições apenas 5.639 votos para vereador, ficando como 13º entre os petistas Edson manteve influência por sua lealdade a Paes, sendo um dos principais articuladores da controversa reforma do Estatuto dos Servidores na legislatura anterior.
Nos bastidores, a movimentação causa desconforto entre correntes do próprio PT.
Adversários internos ao grupo de Quaquá apontam que a condução do prefeito de Maricá pode, na verdade, comprometer os planos do filho.
Citam a condenação judicial do prefeito, sua elevada taxa de rejeição no município e o desgaste político acumulado ao longo dos mandatos como fatores que podem minar a campanha de Diego Zeidan.
A disputa, portanto, não é apenas por cargos, mas por poder e sobrevivência política.
O avanço de Diego na presidência do PT estadual fortalece um campo estratégico para Quaquá, que tem sido alvo de críticas inclusive dentro da própria legenda pela forma personalista com que conduz articulações políticas.
As próximas semanas serão decisivas para consolidar essa reconfiguração e medir o impacto das escolhas do PT não apenas na capital, mas também nos rumos do partido no estado.