A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (8) a Operação Duas Caras, que revelou um esquema bilionário de corrupção na área da saúde envolvendo a Organização Social Mahatma Gandhi, responsável por administrar Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em diversos estados inclusive em Maricá (RJ).
O presidente da OS foi preso em São Paulo, onde também foram apreendidas armas ilegais.
As investigações apontam o uso de empresas de fachada e contratos superfaturados, movimentando mais de R$ 13 milhões em recursos públicos desviados.
Em Maricá, o impacto da operação é direto e alarmante. Os reflexos do escândalo nacional chegaram à cidade, onde a Mahatma Gandhi segue operando normalmente, mesmo sob intervenção judicial.
O clima é de tensão entre os funcionários, que temem as consequências da instabilidade administrativa.
O atual secretário municipal de Saúde, Marcelo Velho, é apontado como figura recorrente em outras investigações da Polícia Federal. Mesmo com seu histórico controverso, ele segue no cargo, o que levanta sérias dúvidas sobre os critérios de escolha para cargos estratégicos na gestão do prefeito Washington Quaquá.
“Parece que, para assumir um alto cargo nesta prefeitura, é preciso ter o QI certo
“QUEM INDICA ou, quem sabe, o nome citado em alguma denúncia por desvio de conduta”, dispara um servidor ouvido sob anonimato.
COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
Segundo o Ministério Público de São Paulo, o grupo criminoso firmava contratos de gestão com prefeituras em diversos estados.
Uma vez no controle das UBSs, passava a contratar empresas terceirizadas ligadas ao próprio grupo, que emitiam notas fiscais frias e superfaturadas.
Essas empresas, parte do núcleo interno da organização, operavam como braços informais da OS, mantendo contabilidade paralela, promovendo lavagem de dinheiro e efetuando pagamentos ilegais.
A FVS (empresa de gestão judicial) assumiu a administração da Mahatma Gandhi por determinação judicial, após o afastamento da antiga diretoria. A medida visa regularizar a situação da entidade, mas não impede que os contratos em vigor continuem sendo questionados.
Em coletiva de imprensa, o promotor João Paulo Gabriel de Souza, do Gaeco, revelou que o esquema contava com duas frentes de atuação: uma operacional e outra dedicada à expansão dos contratos para novos estados sempre utilizando a mesma rede de corrupção interna.
RICARDINHO NETUNO JÁ HAVIA DENUNCIADO
Em Maricá, a denúncia não é novidade para quem acompanha a atuação do vereador Ricardinho Netuno (PL). O parlamentar vem há meses alertando sobre as ligações perigosas entre a OS Mahatma Gandhi, o secretário Marcelo Velho e a gestão municipal.
Segundo Netuno, a manutenção de contratos milionários com organizações denunciadas evidencia o uso político da máquina pública para favorecer aliados e manter o controle do poder local, mesmo diante de graves denúncias de corrupção.
“Não é só descaso com a saúde pública. É aparelhamento, é proteger os seus, é manter o sistema funcionando mesmo que às custas da miséria do povo”, declarou o vereador em plenário.
A população, cansada da precariedade no atendimento, agora espera que o caso sirva de alerta para outras cidades e que finalmente se rompa o ciclo de impunidade.
População cobra ação do MP-RJ diante de escândalo da saúde: “É hora de romper o ciclo de impunidade”
Diante do avanço da Operação Duas Caras e das denúncias que atingem diretamente contratos da saúde pública em Maricá, cresce entre os moradores o sentimento de indignação e urgência por justiça.
A população, exausta com a precariedade dos atendimentos, vê no escândalo nacional um possível ponto de virada uma oportunidade para que o Ministério Público do Rio de Janeiro finalmente atue com o rigor que o momento exige.
Há uma expectativa crescente de que o MP-RJ abra investigações locais diante das denúncias já feitas publicamente no plenário da Câmara Municipal e das petições protocoladas junto ao Fiscal da Lei, que até agora permanecem sem resposta efetiva.
A esperança é que o caso em Maricá sirva de alerta para outras cidades e que a atuação do Ministério Público de outros estados, como São Paulo, inspire uma reação em cadeia contra o modelo de corrupção institucionalizada que se espalha pelo país sob o disfarce de organizações sociais de saúde.
Enquanto isso, a população permanece vigilante e mobilizada, aguardando que outras ações sejam deflagradas em nível nacional, atingindo as empresas e figuras políticas que atuam em rede para manter contratos milionários com dinheiro público, mesmo diante de fortes indícios de irregularidades, desvios e formação de quadrilha.
A TVC Copacabana segue atenta e comprometida em denunciar, fiscalizar e ecoar a voz da população que já não aceita mais ser vítima de um sistema podre que beneficia poucos e castiga muitos.