O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que o partido é contrário à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o foro privilegiado para deputados e senadores. Segundo ele, a proposta surge “da pior forma possível”, resultado de uma “negociação espúria” conduzida nos bastidores sob pressão e chantagem.
“Somos contra essa PEC do Foro, porque ela nasce da pior forma possível, numa negociação espúria, às escondidas, fruto da pressão de quem fez chantagem, para garantir a impunidade. Trata-se de uma aliança entre bolsonaristas desesperados e um trem da alegria para proteger deputados”, declarou o parlamentar em publicação na rede social X.
Lindbergh afirmou ter participado de todas as reuniões com líderes partidários e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reforçou que não houve qualquer acordo válido. “Se houve qualquer acordo clandestino, nós não reconhecemos nem aceitaremos. É um desrespeito ao Colégio de Líderes, que tem o dever e legitimidade de decidir a pauta do Plenário junto com o presidente da Câmara.”
A PEC integra o chamado “pacote da paz” defendido pela oposição bolsonarista, que recentemente protagonizou um motim nos plenários da Câmara e do Senado. O texto conta com apoio de setores do Centrão e prevê o fim da obrigatoriedade de deputados e senadores serem julgados exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes cometidos durante o mandato, transferindo os casos para a primeira instância — o que tende a prolongar sua tramitação.
Embora não beneficie diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a proposta pode favorecer aliados, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado por crimes contra a soberania nacional, e Marcel van Hattem (Novo-RS), investigado por expor fotos do delegado Fábio Shor na tribuna da Câmara.