Patrimônio Geológico e megaempreendimento em Maricá: a luta contra o Terminal de Ponta Negra…

O litoral de Maricá enfrenta uma batalha histórica entre o interesse econômico e a preservação ambiental.

De um lado, um grupo de empresários espanhóis, com apoio declarado do prefeito Washington Quaquá (PT), insiste na implantação do Terminal de Ponta Negra, enquanto do outro, pesquisadores, ambientalistas e a população local defendem a proteção do patrimônio geológico, cultural e ambiental da região.

Um dos símbolos dessa luta são os Beachrocks de Darwin”, formações rochosas na Praia de Jaconé reconhecidas internacionalmente por sua relevância científica e geológica.

Pela primeira vez no país, um sítio geológico representou um obstáculo real à implantação de um megaempreendimento, desafiando o poder econômico do empreendedor e seu suporte político nas esferas municipal e estadual.

Em junho de 2021, o Judiciário autorizou o prosseguimento do licenciamento do terminal portuário, com base principalmente em pareceres técnicos apresentados pelo próprio empreendedor, culminando na emissão da Licença de Instalação em janeiro de 2022.

Apesar da licença, as obras ainda não foram iniciadas, mas os impactos previstos já causam preocupação.

Entre os riscos destacados estão:

Descaracterização da paisagem e perda da balneabilidade da Praia da Sacristia;
Deterioração da Gruta da Sacristia, ponto cênico relevante;
Impacto às atividades de pescadores, catadores de mariscos e surfistas;
Prejuízos à desova de tartarugas e à preservação de espécies ameaçadas, como o Liolaemus lutzae, além de aves migratórias e baleias;
Riscos de ressacas e insegurança na operação do porto, considerando o histórico climático da região.

Embora o layout do projeto tenha sido alterado após anos de resistência da comunidade, perguntas sobre a viabilidade técnica e socioambiental permanecem.

Especialistas ressaltam que o custo de perder o patrimônio geológico e ambiental é muito maior que os possíveis benefícios econômicos, limitados, segundo o empreendedor, a 338 empregos diretos.

O caso evidencia o interesse explícito do prefeito Quaquá em priorizar o capital financeiro em detrimento da natureza, da história e do patrimônio cultural, deixando claro que o projeto é defendido pela força política que atualmente exerce, independentemente dos impactos socioambientais.

A luta em Maricá é um alerta sobre a necessidade de discussão pública, fiscalização rigorosa e preservação dos valores que vão além do lucro imediato, lembrando que a memória da Terra, impressa nas rochas e na paisagem, faz parte da memória coletiva e científica da população.