Lula recusa pressão de Trump para classificar facções como terroristas e enfrenta embate político no Congresso…

O governo brasileiro se posicionou contra a pressão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para classificar facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

A decisão do presidente Lula se choca diretamente com as diretrizes de segurança da gestão Trump, que busca combater qualquer grupo que ameace a democracia com regimes de terror.

Segundo fontes do Ministério da Justiça, órgãos como a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) manifestaram-se contrários à alteração legislativa.

A PF alerta para equívocos conceituais da proposta, destacando que, embora CV e PCC utilizem táticas associadas ao terrorismo como explosivos ou atiradores sua motivação é essencialmente financeira, enquanto grupos terroristas perseguem objetivos ideológicos, religiosos ou políticos.

Além disso, especialistas do governo argumentam que a mudança poderia prejudicar a imagem internacional do Brasil.

Atualmente, existem cerca de 80 facções em atuação no país; classificá-las como terroristas transformaria o Brasil em um país “sitiado pelo terrorismo”, embora o combate ao terrorismo no território nacional se restrinja à prisão de poucos recrutadores do Hezbollah na Tríplice Fronteira.

Na prática, os benefícios da alteração seriam limitados. Embora penas mais rigorosas e inclusão em sistemas internacionais de inteligência fossem possíveis, não haveria ganhos relevantes para investigações em andamento.

O projeto, de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), avança no Congresso e aguarda votação no plenário da Câmara. Forte tem interesses claros: seu estado sofre com conflitos entre PCC e CV, e a aprovação do projeto fortaleceria seus planos políticos para 2026.

Caso o projeto seja aprovado e depois vetado pelo governo, a oposição pretende associar Lula a uma suposta postura de “protetor do crime organizado”.

Diante do cenário, o governo busca estratégias para conter os impactos da proposta. Fontes do Executivo afirmam que, caso o projeto avance, poderá recorrer ao presidente da Câmara, Hugo Motta, e até ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A disputa evidencia a dificuldade do governo em lidar com segurança pública e pressões internacionais simultaneamente, reforçando que o Brasil, embora enfrente graves problemas com organizações criminosas, mantém distinções claras entre crime organizado e terrorismo ideológico.