EUA intensificam ataques a Alexandre de Moraes e elevam tensão diplomática com Brasil.

A relação entre Brasil e Estados Unidos entrou em mais um capítulo de crise nesta quarta-feira (17).

O subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, afirmou no X (antigo Twitter) que o Brasil precisa “conter o descontrolado ministro do STF Alexandre de Moraes antes que ele destrua completamente a relação” histórica entre os dois países.

A declaração veio após reportagem da revista Newsweek destacar a ordem de prisão emitida por Moraes contra **Flávia Magalhães, brasileira que vive há 22 anos na Flórida e também possui cidadania americana.

Segundo a publicação, o processo contra ela se baseia em postagens críticas ao Judiciário brasileiro feitas a partir dos Estados Unidos.

Landau acusou Moraes de violar direitos humanos e de usar o sistema judicial para perseguir adversários políticos. “Os Estados Unidos não permitirão que Moraes estenda seu regime de censura ao nosso território”, afirmou.

Escalada de críticas

A ofensiva soma-se às declarações feitas dias antes pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Em viagem a Israel, Rubio classificou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como parte de uma “campanha de opressão judicial” e prometeu sanções adicionais contra o Brasil.

Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, mas cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto.

Moraes determinou a medida no âmbito do inquérito que também investiga Eduardo Bolsonaro, acusado de estimular interferência estrangeira contra instituições brasileiras.

Desde então, Washington tem endurecido sua postura. Em julho, Donald Trump impôs tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros, revogou vistos de ministros do STF e aplicou contra Moraes a Lei Magnitsky legislação que pune estrangeiros acusados de corrupção e violações de direitos humanos.

Resistência brasileira

O Itamaraty reagiu às declarações americanas. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “ameaças não intimidarão a democracia brasileira” e destacou que os julgamentos no STF ocorreram com base na Constituição e no direito à ampla defesa.

A crise diplomática abre um precedente perigoso: a pressão direta de Washington sobre o Judiciário brasileiro, um gesto incomum nas relações bilaterais.

Enquanto Trump e sua equipe acusam Moraes de perseguição, o governo Lula enfrenta o desafio de sustentar a soberania nacional em meio a uma ofensiva política e econômica que ameaça desgastar ainda mais a relação entre os dois países.