O jornalismo de Maricá perdeu, nesta manhã, uma de suas vozes mais firmes e destemidas: Ricardo Vieira Ferreira, jornalista, fundador do Maricá em Foco e ex-secretário municipal de Transportes.
Ele estava internado há cerca de duas semanas e não resistiu às complicações de saúde.
A notícia provoca forte comoção não apenas no meio político e jornalístico, mas também entre aqueles que conviveram com sua rotina intensa de trabalho, seu senso crítico e sua personalidade firme.
Entre eles, o também jornalista Ricardo Cantarelle, da TVC, que recebeu a confirmação do falecimento com profunda tristeza.
Uma amizade construída no trabalho e na resistência..
Cantarelle e Ricardo Vieira mantinham uma relação de amizade que nasceu do trabalho diário. Muitas edições do Maricá em Foco principalmente nos períodos mais turbulentos da política local foram produzidas dentro dos estúdios da TVC, onde Ricardo encontrava estrutura operacional para finalizar seu jornal quando tinha problemas técnicos com seu próprio equipamento.
Cantarelle lembra que o colega era capaz de produzir uma edição inteira do jornal em apenas um dia, sempre com precisão, coragem e a determinação de quem entendia o impacto da informação na vida da cidade.
Para ele, Ricardo era “um jornalista de fibra, que não se escondia, não recuava e não se vendia”.
Trajetória marcada por coragem e ruptura
Antes de se firmar como um dos nomes mais combativos do jornalismo local, Ricardo Vieira teve participação direta na eleição que levou Washington Quaquá à Prefeitura.
Como reconhecimento, foi convidado para assumir a Secretaria de Transportes.
Mas sua passagem pelo governo foi curta.
Ainda nos primeiros meses, percebeu que o grupo político não cumpriria os compromissos assumidos com a população.
Sua postura ética e inabalável entrou em confronto com o estilo de gestão do prefeito.
O resultado: Ricardo foi afastado como tantos outros que, ao discordarem de Quaquá, perderam espaço rapidamente.
A partir de então, criou o jornal Marica em Foco, fazendo um jornalismo forte com vigor.
O jornal rapidamente conquistou seu espaço na cidade de Maricá, intensificou denúncias, investigações e ações judiciais, assumindo o papel de resistência numa cidade marcada por conflitos políticos e denúncias constantes.
Um legado de firmeza e integridade.
A morte de Ricardo Vieira Ferreira deixa um vazio entre colegas, leitores e cidadãos que reconheciam nele um profissional capaz de enfrentar qualquer governo quando acreditava que a verdade precisava ser dita.
Cantarelle, visivelmente abalado, afirmou que perde “um amigo, um parceiro de pautas difíceis e um jornalista raro, desses que não têm medo do poder, que não aceitam ser descartados e que colocam o interesse público acima de tudo”.
Ricardo Vieira Ferreira parte deixando uma história marcada pela coragem, pela independência e pela luta por transparência.
Seu nome permanece como referência para quem acredita no jornalismo como instrumento de defesa da sociedade e não como extensão do poder.