Na última segunda-feira (24), o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), divulgou nas redes sociais um ambicioso projeto: a construção de um shopping gastronômico no Centro da cidade para substituir a atual praça de alimentação.
De acordo com a proposta, o novo edifício terá arquitetura marcante, pensado para atrair turistas e oferecer “melhores condições de trabalho aos comerciantes”, além de mais conforto para o público.
O projeto prevê ainda um palco central para apresentações musicais e culturais, e no pavimento superior, uma cozinha comunitária, auditório e depósitos individuais para cada permissionário.
Segundo Quaquá, a ideia é criar um “polo gastronômico, cultural e turístico” que gere desenvolvimento e renda para Maricá.
Temor entre trabalhadores de comida de rua
Apesar da promessa de desenvolvimento, a iniciativa tem gerado apreensão entre trabalhadores da praça de alimentação e vendedores de comida de rua.
Um deles, identificado como João, expressou preocupação: se o shopping sair do papel, poderá “atingir a todos que trabalham com comida de rua … são muitos”.
Se o local for construído para alimentação com preços populares, argumenta ele, “com toda a certeza irá afetar nosso trabalho”.
João ainda acusa o prefeito de governar pensando em seus interesses pessoais e de aliados, sem considerar a população mais vulnerável. Segundo ele, o anúncio do projeto trouxe “desespero às famílias”, relembrando casos anteriores em que Quaquá teria demitido trabalhadores sem pensar nas consequências para as famílias atingidas: “ele e a família toda estão bem, mas não podemos ser destruídos por mais uma ação do Quaquá contra quem mais precisa.”
Para muitos trabalhadores, a resposta do prefeito ao questionamento pode ser dura: “quem achar que não está bom, que se mude para outra cidade.”
Contraponto e contexto
Do lado da prefeitura, o projeto vem alinhado a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico local.
Quaquá e seu governo têm anunciado diversos investimentos recentes para Maricá, reforçando a ideia de “economia das pessoas” baseada em empreendedorismo, turismo e cultura.
Além disso, não é o único empreendimento grande: a prefeitura também firmou contrato para a construção do Plaza Maricá Shopping, com investimento estimado em R$ 300 milhões.
O shopping prevê gerar cerca de 3 mil empregos diretos durante a construção e operação.
Segundo a prefeitura, a participação no empreendimento será mista: a cidade entra como sócia, com parte dos recursos vindos do município.
O dilema
Para o poder público: o shopping gastronômico pode ser uma forma de revitalizar o Centro, atrair turismo, gerar renda e profissionalizar a economia local com espaços estruturados para os permissionários.
Para os trabalhadores informais: pode significar concorrência desleal, risco de perder clientela, substituição por comerciantes com mais estrutura ou capital, e insegurança econômica.
O anúncio, portanto, suscitou um debate legítimo: a quem esse desenvolvimento realmente beneficia? Se a promessa é de geração de emprego e renda, será que ela vai alcançar também os mais vulneráveis — especialmente aqueles que vivem da informalidade e da rua?