Uma pesquisa recente da Atlas/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), revela que 95,6% dos brasileiros tomaram conhecimento sobre as mensagens e áudios trocados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Deste universo, 51,7% dos entrevistados consideram que o senador está diretamente envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master.
Interpretações divergentes sobre as conversas
Ainda segundo a pesquisa, 33,3% dos brasileiros interpretam a troca de mensagens como uma tentativa legítima de Flávio Bolsonaro de obter apoio financeiro para a produção do filme “Dark Horse”, que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por outro lado, 12,1% dos entrevistados percebem uma relação de proximidade entre o senador e o ex-banqueiro, mas sem indícios de ilegalidade comprovada.
Esta é a primeira pesquisa de âmbito nacional realizada após a divulgação das conversas entre Flávio e Vorcaro. As mensagens, que detalham negociações para o repasse de R$ 134 milhões para o filme, foram publicadas pelo Intercept Brasil na última quarta-feira (13). Anteriormente, Flávio Bolsonaro havia tentado minimizar sua conexão com o escândalo do Banco Master, inclusive minimizando sua relação com o colega de Senado Ciro Nogueira, alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de receber “vantagens indevidas” de Vorcaro.
Aliados de Bolsonaro e Lula no centro das suspeitas
Em relação aos grupos políticos mais envolvidos no esquema do Banco Master, a pesquisa Atlas/Bloomberg indica que 43,3% dos brasileiros apontam os aliados de Bolsonaro como os mais implicados. Em seguida, 32,8% acreditam que são os aliados de Lula, e 7,1% citam o Centrão. Um percentual de 16,1% dos entrevistados considera que todos os grupos estão igualmente envolvidos.
Vazamento das mensagens: evidência legítima ou ataque político?
A principal linha de defesa de Flávio Bolsonaro e seu entorno tem sido a de que as conversas eram estritamente profissionais e que o vazamento teria sido seletivo, com o objetivo de prejudicar sua pré-campanha presidencial. No entanto, a pesquisa revela que 54,9% dos brasileiros entendem o vazamento como “evidências obtidas em uma investigação legítima”. Outros 33% concordam com o senador, vendo a divulgação como “uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro”.
Impacto na candidatura presidencial
A divulgação das mensagens parece ter impactado a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Para 45,1% dos entrevistados, o episódio “enfraqueceu muito” sua candidatura, enquanto 19% acreditam que “enfraqueceu um pouco”. Somente 15% consideram que “não afetou a candidatura”, e surpreendentemente, 13,4% acham que “fortaleceu a candidatura”.
Apesar da percepção geral de enfraquecimento, o impacto na base eleitoral do senador parece ser menos acentuado. Apenas 3,6% declararam estar “menos dispostos a votar” nele, e 9,4% “muito menos dispostos”. Por outro lado, 13,7% se sentiram “muito mais dispostos a votar” em Flávio após a divulgação das mensagens, e outros 5,1% “mais dispostos”.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio, utilizando recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no TSE sob o protocolo BR-06939/2026.