De ídolo a alvo de protestos
Há apenas três meses, o clima entre a torcida do Crystal Palace e o técnico Oliver Glasner era de descontentamento. Cantos de “Fora, Glasner!” ecoavam nas arquibancadas, um contraste amargo para o treinador austríaco que, na temporada anterior, havia entrado para a história do clube ao conquistar a Copa da Inglaterra contra o poderoso Manchester City, o primeiro grande título da história do Palace.
Aquele empate em 1 a 1 na Bósnia, contra o HSK Zrinjski Mostar, em um jogo da Conference League, marcou um período sombrio. O Palace somava apenas uma vitória em 15 partidas. Glasner, então, anunciou sua saída ao final da temporada, e o clube viu jogadores chave como Marc Guehi e Eberechi Eze deixarem o time. A situação se agravou quando Glasner, aos 51 anos, respondeu às críticas pedindo aos torcedores que “mantivessem a humildade” e “lembrassem de onde vieram”, irritando ainda mais os ânimos.
Uma reviravolta inesperada
Contudo, os tempos turbulentos ficaram para trás. Nesta quarta-feira (27), Glasner tem a oportunidade de se despedir do Crystal Palace com um legado consolidado. A final da Conference League, em Leipzig, contra o Rayo Vallecano, pode coroar um capítulo extraordinário para o clube do sul de Londres desde que o ex-treinador do Eintracht Frankfurt assumiu o comando em fevereiro de 2024. Além da histórica vitória na Copa da Inglaterra e da Community Shield contra o Liverpool, o Palace chega à sua primeira final europeia.
O time joga por si, não pelo técnico
Glasner, em entrevista ao site da UEFA, minimiza o foco em sua figura, ressaltando o mérito dos jogadores. “Eu me sentiria um completo fracasso se o time tivesse caído de rendimento (depois que anunciei minha saída), porque eu sempre disse a eles: ‘Vocês não precisam jogar para um técnico'”, afirmou. “Eles sempre jogam por si mesmos, pelo grupo, pelos torcedores, pelo clube. Se ganharmos a Conference League, todos os jogadores que ficarem aqui no clube, os torcedores, se beneficiarão, porque jogarão futebol europeu novamente no ano que vem.”
Um final de conto de fadas
Apesar de desviar os holofotes, Glasner não esconde o desejo por um final perfeito. “Seria um final perfeito. Quando você assiste a um filme, quando lê um livro, você sempre espera que haja um final feliz”, disse. “Encerrar esta jornada de mais de dois anos com outro troféu, com o primeiro troféu europeu da história do Crystal Palace, seria incrível.” Com um elenco que conta com jogadores como Jean-Philippe Mateta, Adam Wharton e Ismaila Sarr, o Palace chega como favorito. Glasner, que levou o Eintracht Frankfurt ao título da Europa League em 2022, sabe o caminho para a glória europeia. A equipe também conta com o atacante Brennan Johnson, cujo gol deu a vitória ao Tottenham na Europa League na temporada passada, vendo a final como o momento ideal para marcar seu primeiro gol desde que chegou ao clube. A campanha europeia, segundo Johnson, foi fundamental para unir o time: “Quanto mais jogos disputávamos, especialmente na Conference League, mais a empolgação voltava e agora parece uma lembrança distante.”