Docentes da USP aderem à greve estudantil em busca de reajuste e apoio estudantil
A greve estudantil na Universidade de São Paulo (USP) atingiu um novo patamar com a adesão dos professores. A Associação dos Docentes da USP (Adusp) decidiu iniciar a paralisação imediatamente, com uma nova assembleia marcada para a próxima segunda-feira, dia 1º. As reivindicações dos docentes vão além do reajuste salarial, que pedem em torno de 3% com base no IPCA, e incluem melhorias significativas no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), a reorganização do semestre acadêmico e a garantia de que os estudantes envolvidos nas manifestações não sofrerão punições.
Investigação sobre ação policial e intransigência da reitoria marcam o protesto
Um dos pontos centrais da pauta dos professores é a apuração das responsabilidades sobre a ação da Polícia Militar (PM) na desocupação da reitoria da universidade no início do mês. A operação, sob o comando de Aluísio Segurado, utilizou bombas e gás lacrimogêneo contra os estudantes. O Diretório Central dos Estudantes (DCE), que lidera a paralisação, acusa a reitoria de intransigência em relação a diversas exigências, o que tem dificultado o avanço nas negociações.
Histórico da greve: de servidores técnicos a cortes no programa de bolsas
A paralisação estudantil teve início em abril, quando os alunos se juntaram aos servidores técnicos e administrativos em busca de isonomia em gratificações. Embora essa mobilização tenha sido encerrada após um acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), os estudantes mantiveram a greve. As principais bandeiras de luta dos alunos incluem protestos contra cortes no programa de bolsas, a escassez de vagas em moradia estudantil, reduções no fornecimento de água e a necessidade de melhorias nos restaurantes universitários.
Proposta de reajuste insuficiente e ameaças aos calouros geram insatisfação
A USP apresentou uma proposta de reajuste para o PAPFE baseada no índice IPC-FIPE, que elevaria o auxílio integral para R$ 912 mensais e o auxílio parcial para estudantes com moradia para R$ 340. No entanto, os estudantes consideram a oferta insuficiente, demandando um valor de R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista. Dany Oliveira, representante do DCE, relatou à CNN Brasil que, apesar da maioria dos prédios estarem sem aulas, diretorias pressionam estudantes, ameaçando calouros de jubilamento caso não retornem às atividades. A reitoria, por sua vez, afirmou que não possui um posicionamento específico para o momento.
Negociações estagnadas e determinação dos estudantes em continuar a luta
O DCE aguarda um retorno da reitoria após uma mesa de mediação realizada na segunda-feira (26) sobre o PAPFE e o estudo de orçamento. Segundo o DCE, as últimas duas negociações não apresentaram avanços significativos. Em nota divulgada nas redes sociais, o DCE reforça a importância da luta por condições dignas de permanência e estudo: “Não estamos para brincadeira. Estamos convictos da necessidade de arrancar mais conquistas de uma reitoria que, até agora, tem sido cínica às reivindicações. Os estudantes estão dispostos a ir até o fim”.