INAUGURARAM A ESTAÇÃO. A LAGOA CONTINUA ADOECENDO.

..Por Ricardo Cantarelle.

Em maio de 2026, a Prefeitura de Maricá divulgou a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Barra de Maricá.

No vídeo publicado pelo próprio governo municipal, a secretária Márcia Ferreira afirmou que a obra representa um avanço para a saúde pública, para o meio ambiente e para o saneamento da cidade.

Segundo a Prefeitura, a nova estação amplia a capacidade de tratamento de esgoto e fortalece as ações de preservação ambiental.

Mas, enquanto o vídeo oficial mostrava uma nova estação entrando em funcionamento, moradores registravam outra realidade.

Vídeos enviados à TVC e divulgados nas redes sociais mostram situações que continuam gerando dúvidas sobre as condições ambientais da região.

E é justamente aí que começa esta investigação.

O QUE OS MORADORES FILMARAM?

No dia 28 de maio de 2026, um pescador gravou imagens na Barra de Maricá.

O vídeo mostra um cano de grande porte instalado entre pedras na margem da lagoa. Nas imagens é possível observar alteração na coloração da água próxima à saída da tubulação.

A TVC não realizou análise técnica do material e aguarda esclarecimentos dos órgãos responsáveis sobre a função da estrutura registrada.

Em outro vídeo enviado à reportagem, imagens mostram água com coloração alterada e peixes mortos em áreas do sistema lagunar.

Especialistas consultados pela TVC explicam que situações como essas podem estar associadas a diversos fatores ambientais. A causa exata só pode ser determinada através de análises laboratoriais e laudos técnicos.

Já no Vale da Figueira, uma moradora registrou uma vala a céu aberto correndo às margens da Alameda 6.

Segundo a denúncia, o problema já teria sido comunicado anteriormente, mas continuaria sem solução.

O QUE A PREFEITURA MOSTROU?

No vídeo institucional divulgado pela Prefeitura, a secretária Márcia Ferreira destaca que a nova estação atenderá mais de 800 moradores.

A inauguração também marca a ampliação da estrutura de saneamento do município.

A obra foi apresentada como mais um passo para fortalecer a proteção ambiental e melhorar a qualidade de vida da população.

ONDE ENTRA O PROJETO LAGOA VIVA?

Enquanto novas obras de saneamento eram anunciadas, a Prefeitura de Maricá, a Codemar e a Universidade Federal Fluminense (UFF) também divulgaram o Projeto Lagoa Viva.

O investimento informado publicamente para o programa foi de R$ 16 milhões.

Segundo as informações oficiais, o objetivo é desenvolver ações voltadas para recuperação e preservação ambiental do sistema lagunar.

A TVC apura quais resultados concretos já foram alcançados pelo projeto e quais indicadores ambientais estão disponíveis para consulta pública.

Os custos das estações de tratamento e os resultados efetivos do Lagoa Viva continuam sendo objeto de apuração da reportagem.

AS PERGUNTAS QUE AINDA PRECISAM DE RESPOSTA

A reportagem encaminhará questionamentos formais aos órgãos responsáveis.

Entre eles:

  • Qual é a função do cano registrado na Barra de Maricá?
  • O ponto filmado faz parte da estrutura de saneamento do município?
  • Quantas residências estão efetivamente ligadas à rede coletora de esgoto nas áreas atendidas pelas ETEs?
  • A vala da Alameda 6 está incluída em algum cronograma de obras?
  • Quais são os resultados ambientais já obtidos pelo Projeto Lagoa Viva?
  • Existem relatórios públicos sobre a qualidade da água das lagoas?

A PERGUNTA QUE FICA

A Prefeitura mostrou uma nova estação de tratamento.

Moradores mostraram um cano na lagoa, uma vala a céu aberto e imagens que levantam preocupações sobre a qualidade ambiental da região.

Os dois registros existem.

Os dois aconteceram no mesmo município.

E a população tem o direito de entender por que a realidade mostrada pelos moradores parece tão diferente da realidade apresentada nos vídeos oficiais.

Agora cabe aos órgãos responsáveis apresentar dados, relatórios e esclarecimentos para que a população saiba qual é a situação real do saneamento e das lagoas de Maricá.

A TVC continuará acompanhando o caso.

Porque saneamento não se mede apenas por inaugurações.

Se mede pelos resultados que a população consegue enxergar.