Eletronuclear propõe otimizar armazenamento de rejeitos em Angra dos Reis diante de atrasos no Centena

Eletronuclear busca soluções para rejeitos radioativos

A Eletronuclear apresentou à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) propostas para otimizar e, potencialmente, expandir a capacidade de armazenamento de rejeitos radioativos de baixo e médio níveis, gerados pelas usinas nucleares de Angra dos Reis. A discussão ocorreu em uma reunião nesta terça-feira (2), e a Diretoria de Instalações Radiativas e Controle da ANSN analisará as sugestões com base nas normas atuais.

Atraso no Centena impacta operações nucleares

As alternativas propostas pela Eletronuclear surgem como resposta ao atraso na implantação do Centena (Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental), projeto da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) destinado ao armazenamento definitivo de rejeitos radioativos. O Centena, em discussão há mais de uma década, ainda não possui cronograma definido, projeto executivo concluído ou processo de licenciamento iniciado.

Capacidade de armazenamento atual pode se esgotar em breve

A falta de um local definitivo para o descarte de rejeitos radioativos representa um risco para as operações das usinas Angra 1 e Angra 2. Atualmente, os rejeitos são armazenados em galpões próximos aos reatores, conhecidos como Central de Gerenciamento de Rejeitos (CGR), com capacidade estimada para 3.500 metros cúbicos. A expectativa é que esses depósitos atinjam seu limite entre 2030 e 2031, o que pode forçar a interrupção das atividades das usinas nos próximos anos.

Análises de segurança e licenciamento serão necessários

A ANSN informou que a adoção das soluções propostas pela Eletronuclear não exigirá mudanças estruturais nas normas vigentes. No entanto, a implementação das medidas demandará análises de segurança detalhadas, ajustes operacionais e a revisão dos procedimentos de licenciamento para garantir a segurança e a conformidade com os requisitos regulatórios.