El Niño mais forte: Cientistas alertam para riscos históricos no Brasil e milhões em áreas de perigo

El Niño é oficializado e projeções indicam forte intensidade

Cientistas da Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera (NOAA), agência climática dos Estados Unidos, confirmaram oficialmente o retorno do El Niño. O fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e as projeções indicam uma probabilidade de 60% de que ele atinja uma intensidade forte até o final do ano. Essa configuração representa um agravamento considerável das previsões climáticas globais, com potencial para se tornar um episódio de forte intensidade histórica.

Entendendo o El Niño e seu desenvolvimento

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na região equatorial central. Conforme explica o analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, a condição é configurada quando a temperatura da água fica acima de meio grau Celsius, em média de 30 anos, e persiste por três meses. Atualmente, a região apresenta um aquecimento de 0,7°C acima da média histórica, indicando um evento de fraca intensidade, mas com tendência de crescimento. A expectativa é que essa temperatura ultrapasse 2°C nos próximos seis meses, o que caracterizaria um El Niño forte.

Impactos previstos para o Brasil: Sul com chuvas, Norte e Nordeste com seca

Os efeitos do El Niño no Brasil seguem um padrão conhecido: aumento das chuvas na região Sul, tendência de secas no Norte e no Nordeste, e um risco elevado de incêndios florestais no Centro-Oeste. O analista Pedro Côrtes relembrou episódios passados, como as enchentes no Rio Grande do Sul e as secas históricas na Amazônia, que deixaram rios com volumes drasticamente reduzidos, isolando comunidades e causando mortes de animais. Ele também ressaltou que o aquecimento global potencializa os efeitos do El Niño, tornando as consequências mais severas mesmo sem a necessidade de um evento de forte intensidade.

Fatores que podem modular os efeitos e alerta para áreas de risco

Apesar do cenário preocupante, um fator pode ajudar a moderar a intensidade dos impactos no Brasil: a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO). Pedro Côrtes explicou que o país se encontra em uma fase fria da PDO, o que tende a não gerar eventos tão fortes. No entanto, o analista foi categórico ao afirmar que o Brasil enfrentará problemas com o fenômeno, independentemente da intensidade. Paralelamente, o pesquisador do Cemaden, Giovanni Dolif, alertou que mais de 8,5 milhões de brasileiros vivem em áreas de risco, muitos sem conhecimento dessa condição. Ele recomenda que a população busque informações junto à Defesa Civil para identificar os riscos e saber como agir em caso de alertas, destacando que a pressão social sobre as autoridades é fundamental para acelerar ações preventivas.