O avanço da diálise e a realidade brasileira
A diálise revolucionou o tratamento de pacientes com falência renal, oferecendo esperança e qualidade de vida onde antes não havia. Contudo, a modalidade mais conhecida no Brasil, a hemodiálise, ainda domina o cenário, com 95% dos pacientes a utilizando. Especialistas, como Lúcio Requião, vice-diretor do Hospital do Rim, e Caio Bastos, especialista da mesma instituição, destacam que o desconhecimento sobre a diálise peritoneal é o principal fator para esse desequilíbrio.
Hemodiálise vs. Diálise Peritoneal: Entendendo as diferenças
A hemodiálise, procedimento mais comum, exige que o paciente se desloque a clínicas especializadas, onde máquinas filtram o sangue. Já a diálise peritoneal, embora menos difundida no Brasil, oferece uma alternativa que pode ser realizada no conforto do lar. Neste método, um líquido infundido na região abdominal do paciente atua na limpeza das impurezas do sangue, com a própria máquina auxiliando o processo.
Desconhecimento limita o acesso à diálise peritoneal
A disparidade no uso entre as duas modalidades é notável quando comparada a outros países. Enquanto no Brasil a diálise peritoneal representa apenas 5% dos tratamentos, em nações como o México, essa taxa pode chegar a 30% ou 50%. Caio Bastos explica que, em centros que promovem ativamente a informação sobre ambas as opções, a escolha entre hemodiálise e diálise peritoneal se torna mais equilibrada, com os pacientes optando com base em suas preferências pessoais.
Plano Nacional de Expansão e o futuro do tratamento renal
A rede de atendimento focada em hemodiálise no Brasil tem enfrentado saturação, com a construção de novas clínicas podendo levar até três anos. A diálise peritoneal, por sua vez, permite que o paciente seja treinado em poucos dias e realize o tratamento em casa, inclusive durante viagens. Para reverter o quadro e ampliar o acesso, especialmente em regiões de difícil acesso, o Ministério da Saúde lançou um plano nacional para expandir a diálise peritoneal, visando aumentar sua utilização de 5% para 20% a médio e longo prazo.