Mercado Reage a Avanços Diplomáticos
O preço do petróleo despencou nesta quinta-feira (18), alcançando o menor patamar desde o início do conflito no Oriente Médio. A queda expressiva é reflexo do avanço em um acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã, que visa encerrar as hostilidades, reabrir o estratégico Estreito de Ormuz e flexibilizar sanções impostas a Teerã. Essa perspectiva de maior oferta global pressionou as cotações das principais referências do mercado.
Brent e WTI em Declínio Significativo
Por volta das 11h, o petróleo Brent registrou uma queda de 3%, negociado a US$ 77 o barril. Simultaneamente, o WTI (West Texas Intermediate), indicador do mercado americano, apresentou uma retração ainda maior, caindo cerca de 3,7% e sendo cotado a US$ 73 o barril. O Brent atingiu seu nível mais baixo desde 2 de março, primeiro dia de negociações após os ataques iniciais ao Irã, enquanto o WTI marcou seu menor valor desde 4 de março.
Memorando de Entendimento e Implicações para o Mercado
Analistas de mercado, como Tony Sycamore da IG, apontam que a onda de vendas se intensificou à medida que os mercados precificaram um retorno mais rápido do que o esperado do petróleo iraniano, impulsionado pelo recente memorando de entendimento entre EUA e Irã. Este acordo de 14 pontos inicia um período de negociação de 60 dias, no qual o Irã se compromete a permitir a passagem livre pelo Estreito de Ormuz – uma rota crucial para o transporte de petróleo e gás – com o objetivo de restaurar o tráfego à sua capacidade total em até 30 dias. O acordo preliminar também prevê a elaboração por parte dos EUA e seus aliados de um plano de financiamento de US$ 300 bilhões para a recuperação iraniana, adiando questões mais complexas como o programa nuclear de Teerã.
Perspectivas e Previsões de Recuperação
Especialistas antecipam uma recuperação gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz. No entanto, alertam que os preços do petróleo podem não sofrer quedas drásticas devido à recuperação da demanda e à reposição de estoques. O banco de investimentos Goldman Sachs projeta que as exportações do Golfo voltem aos níveis pré-conflito até o final de julho, com a produção de petróleo se normalizando até outubro. O banco estima que essa normalização possa ser alcançada com um aumento de 13 milhões de barris por dia nos fluxos pelo Estreito de Ormuz, elevando o tráfego para cerca de 70% dos níveis anteriores à guerra.