Queda Alarmante no Cenário Global
O Brasil sofreu um revés significativo em sua posição no ranking mundial de competitividade, caindo sete colocações e ocupando agora o 65º lugar entre 70 países avaliados. Este retrocesso acende um alerta para a capacidade do país em atrair investimentos, empresas e, consequentemente, gerar empregos de qualidade.
Desemprego Baixo Não Garante Competitividade
Um dos pontos mais surpreendentes dessa queda é que ela ocorre em um período de crescimento econômico e aquecimento do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego atingindo patamares historicamente baixos. Segundo a analista Lucinda Pinto, do CNN Prime Time, o baixo desemprego por si só não é suficiente para garantir a competitividade do país. “Isso não é suficiente para garantir essa competitividade, porque o país não conseguiu ainda desenvolver esses outros aspectos”, afirmou. O ranking, que mede cerca de 300 aspectos como qualidade da educação, custo de capital e desempenho governamental, demonstra que outras áreas cruciais para a atração de negócios foram negligenciadas.
Custo de Capital e a Espiral Negativa
Um dos principais vilões apontados pela análise é o alto custo de capital. Lucinda Pinto descreve esse problema como uma “espiral negativa”: a falta de uma educação de qualidade dificulta o crescimento sustentável, o que, por sua vez, leva o país a depender de juros mais elevados para atrair investidores. “É uma roda negativa que tem sido difícil de quebrar”, resumiu. Hugo Tadeu, da Fundação Dom Cabral, corrobora essa visão, afirmando que “o custo de se fazer negócios no Brasil é cada vez mais alto, e isso tem dificultado não só as indústrias, como também as empresas nascentes”. A formação bruta de capital fixo também é apontada como um indicador preocupante.
O Que Falta ao Brasil?
Os países que lideram o ranking, como Singapura, Hong Kong e Suíça, compartilham características como educação de qualidade, forte investimento em tecnologia e inovação, e um custo de capital significativamente menor. Essas são justamente as áreas de fragilidade do Brasil. Além disso, a previsibilidade e uma visão de futuro clara, comuns nas nações mais competitivas, frequentemente faltam ao cenário brasileiro. Esse cenário explica, em parte, por que o capital estrangeiro que chega à bolsa de valores não se traduz em investimento produtivo de longo prazo, e coloca o Brasil em risco de ficar para trás na disputa global por empresas de inteligência artificial e tecnologia.