Investigações atingem aliados de Lula e Flávio Bolsonaro
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, focada em fraudes financeiras no Banco Master. Desta vez, um dos alvos é o líder do governo Lula (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A investigação aponta que o senador teria recebido um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões, como propina do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Esta é a primeira vez que um nome diretamente ligado ao presidente Lula entra na mira da corporação nesta operação, o que levanta a possibilidade de uma isonomia política no caso Master em relação a Flávio Bolsonaro (PL).
Flávio Bolsonaro busca “equilibrar o jogo”
O caso “Dark Horse”, que envolve a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o recebimento de R$ 134 milhões para a produção de um filme inspirado em seu pai, Jair Bolsonaro, já vinha desgastando a pré-candidatura do senador. Anteriormente, investigações envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), com quem Flávio cogitou formar chapa, também respingaram em sua campanha. Agora, aliados de Flávio no Rio de Janeiro veem na investigação de Jaques Wagner uma oportunidade de equilibrar o cenário eleitoral, explorando o desgaste no campo adversário e a proximidade entre Lula e o senador baiano.
Especialistas analisam gravidade e impacto
Leonardo Barreto, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília, considera as investigações sobre Jaques Wagner mais graves devido à sua conexão direta com o atual presidente. “Você tem elementos de caracterização de propina, tem toda uma história de isso ter chegado da Bahia e de você estar ali perto do núcleo duro do governo”, afirma Barreto, destacando que Wagner é uma “ponte direta” entre o governo e o Congresso. Para ele, o ponto que mais pesa contra Flávio Bolsonaro é a ligação direta com o ex-banqueiro preso, Daniel Vorcaro, enquanto Wagner teria negociado propina com Augusto Lima, um sócio do banco.
Eduardo Grin, cientista político, aponta que, embora o envolvimento no escândalo Master seja um golpe eleitoral para ambos, o choque é diferente. “Flávio Bolsonaro é [pré-]candidato. Ele está diretamente implicado, tratou com Daniel Vorcaro pessoalmente. Esse não é o caso do Lula”, explica Grin, lembrando que o presidente apenas recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto.
Recálculo de rota e pressão por afastamento
Rodrigo Prando sugere que a crise chegou ao PT e à figura de Jaques Wagner, mas a reação de Lula e do partido será crucial. Existe a possibilidade de a crise parar em Wagner, com seu afastamento voluntário ou a retirada de sua liderança no Senado por Lula. Grin reforça que Wagner, como companheiro sindical de Lula e cogitado para a presidência em 2018, pode atuar como um “amortecedor”, mas se não for afastado, o escândalo pode se ligar diretamente ao presidente. Segundo apuração da CNN, aliados de Lula e lideranças do PT pressionam para que Jaques Wagner deixe a liderança no Senado até a próxima semana, temendo que ele arraste o governo para a crise do Banco Master e prejudique a articulação governamental. Leonardo Barreto relembra casos anteriores, como José Dirceu e Genoino, onde o entorno de Lula se sacrificou em nome do chefe, sugerindo que Wagner precisa perceber que seu destino pode não estar ligado ao de Lula. Para Flávio Bolsonaro, a recomendação é focar em virar a própria página, deixando que as investigações façam seu curso, pois “lembrar do Daniel Vorcaro também é lembrar do próprio problema”.