Banco de Edir Macedo é investigado por práticas financeiras análogas às do Banco Master

Investigação da PF aponta semelhanças com o Banco Master

A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem contra o Banco Digimais, instituição financeira ligada ao pastor Edir Macedo, e aponta que o banco teria adotado um modelo de operação financeira semelhante ao do liquidado Banco Master. O objetivo seria atrair investidores e sustentar resultados artificiais por meio de práticas consideradas temerárias.

Modelos de captação e distorções contábeis sob suspeita

Segundo a investigação, o Banco Digimais emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de rentabilidade superiores a 110% do CDI, criando uma falsa sensação de ganho elevado, amparada pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Paralelamente, o banco é acusado de distorções contábeis, com superavaliação de ativos e manipulação de balanços para mascarar sua saúde financeira. O relatório da Polícia Federal destaca que o modelo se aproxima do praticado pelo Banco Master, que também oferecia retornos elevados com forte apelo à garantia.

Superavaliação de ativos e inflação de patrimônio

O relatório da PF cita exemplos de superavaliação de ativos, como títulos antigos da Vale reavaliados em R$ 650 milhões sem lastro compatível, um terreno em Pernambuco avaliado em R$ 150 milhões quando seu valor real seria inferior a R$ 10 milhões, e uma carteira de automóveis marcada em R$ 3,5 bilhões. Além disso, fundos internos teriam sido utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do banco, com registros contábeis que multiplicavam o valor real dos ativos, visando melhorar indicadores financeiros e sustentar a captação de recursos baseada na confiança do investidor.

Operação Miragem e negação do banco

A Operação Miragem cumpriu mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e quebra de sigilos. O valor bloqueado chega a R$ 670,3 milhões. A Polícia Federal investiga crimes como gestão fraudulenta, falsidade em demonstrações contábeis e operações de crédito vedadas. Em nota, o Banco Digimais negou irregularidades e afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações.