Argentina zera imposto de exportação de veículos: entenda o impacto nos preços de carros e picapes no Brasil e as chances de desconto
A Argentina implementou uma medida econômica significativa, zerando a taxa de exportação de veículos. Essa decisão, que elimina uma alíquota de 4,5% sobre os produtos automotivos, estará em vigor até julho de 2027.
A mudança tem gerado grande expectativa no mercado brasileiro, que recebe diversos modelos fabricados no país vizinho, levantando a dúvida se os preços para o consumidor final serão impactados.
Especialistas já começam a analisar os possíveis reflexos dessa medida, que promete aumentar a competitividade da indústria argentina, conforme informações divulgadas pelo g1.
Quais carros são afetados pela medida?
A medida argentina impacta diretamente uma série de veículos populares no Brasil. Entre os modelos mais conhecidos estão as picapes Ford Ranger e Volkswagen Amarok, que são produzidas exclusivamente na Argentina para exportação.
A Toyota também exporta de lá a picape Hilux e o utilitário esportivo SW4, além da van comercial Hiace. A Stellantis, por sua vez, fabrica os Fiat Titano e Cronos, e os Peugeot 208 e 2008 na Argentina.
Outro modelo relevante é a RAM Dakota. A Renault também confirmou a produção da picape Niagara na Argentina, com chegada prevista ao Brasil em setembro deste ano, sem preço ainda revelado.
Preços no Brasil: o que dizem os especialistas?
A grande questão para o consumidor brasileiro é se essa isenção tributária resultará em preços menores. Cássio Pagliarin, especialista da Bright Consulting, vê essa possibilidade, especialmente no segmento de picapes.
“Pode haver reflexo, principalmente nas picapes. A diminuição desse imposto afeta o custo de produção e pode fazê-las mais atrativas”, explica o consultor. Ele ressalta, contudo, que é difícil prever o quanto desse desconto será repassado.
Pagliarin também aponta que algumas marcas podem optar por incorporar o desconto à sua margem de lucro, em vez de repassá-lo integralmente ao cliente. Ainda é cedo para determinar qual caminho será seguido pelas montadoras.
Outra perspectiva é a de Kalume Neto, que sugere que as fábricas talvez não reduzam os preços tabelados, mas trabalhem com bônus ou descontos pontuais para o consumidor brasileiro.
Reação da indústria argentina à medida
A Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (ADEFA) recebeu a notícia com otimismo. Segundo a entidade, a redução gradual dos impostos sobre exportações é um “passo importante para aumentar a competitividade da indústria automotiva”.
Rodrigo Pérez Graziano, presidente da ADEFA, destacou que a definição de um cronograma até meados de 2027 oferece previsibilidade essencial para que as montadoras planejem sua produção, exportações e investimentos futuros.
“A redução da carga tributária sobre as exportações representa um estímulo direto para recuperar a competitividade nos mercados regionais e globais, em um cenário mundial extremamente desafiador”, afirmou Graziano. A ADEFA ainda defende que províncias e municípios eliminem impostos e taxas locais, que podem impactar em até 10% o valor dos veículos exportados, visando maior competitividade.
Expectativa das montadoras brasileiras
Diante da incerteza sobre o repasse dos benefícios ao consumidor, o g1 buscou contato com todas as montadoras envolvidas para questionar sobre possíveis reduções de preços no mercado brasileiro.
Até o momento da publicação da reportagem original, nenhuma das empresas havia respondido. A expectativa é que, em breve, as montadoras se posicionem sobre como a nova política tributária argentina impactará suas estratégias de precificação no Brasil.