Vereadores de Curitiba Sob Fogo Cruzado: Uso de Carro Oficial na Marcha da Diversidade Gera Denúncia e Apuração na Câmara

Entenda como a utilização dos veículos da Câmara Municipal de Curitiba por Angelo Vanhoni e Professora Angela na Marcha da Diversidade é alvo de investigação.

Uma denúncia formal agitou o cenário político de Curitiba, colocando em xeque o uso de bens públicos por parlamentares. Dois vereadores de Curitiba, Angelo Vanhoni (PT) e Professora Angela (PSOL), estão sob investigação por supostamente utilizarem carros oficiais da Câmara Municipal durante a Marcha da Diversidade.

O caso, que levanta questões sobre o decoro parlamentar e a correta aplicação da legislação municipal, começou a ser analisado pela Mesa Diretora da Câmara na última segunda-feira, 6 de agosto, após ser protocolado pelo vereador Bruno Secco (PL).

A polêmica gira em torno da interpretação do que constitui atividade de interesse público, versus uso particular, em eventos fora do expediente oficial, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.

A Denúncia e a Legislação em Debate

A acusação feita pelo vereador Bruno Secco (PL) aponta que os vereadores de Curitiba Angelo Vanhoni e Professora Angela teriam empregado veículos oficiais do Legislativo para comparecer à Marcha da Diversidade, evento realizado em 28 de junho.

A denúncia sustenta que tal prática configura uma quebra de decoro parlamentar. A legislação municipal restringe o uso da frota oficial, proibindo seu emprego para fins particulares, comerciais ou em situações não ligadas às funções institucionais.

O documento recebido pela Mesa Diretora da Câmara Municipal de Curitiba argumenta que a participação em uma manifestação política, mesmo relevante, fora do horário de expediente, não justificaria o uso de recursos públicos como os veículos oficiais.

A Defesa dos Parlamentares e a Visão de Representação

Em resposta, a assessoria jurídica da vereadora Professora Angela (PSOL) afirmou à Gazeta do Povo não haver impedimento legal para o uso de veículo oficial em agendas públicas e atos de representação política e social.

O gabinete da vereadora classificou a denúncia como uma clara “tentativa de distorção dos fatos com fins políticos”. Argumenta-se que a participação em eventos públicos de grande relevância social está ligada aos deveres de representação e à atividade parlamentar ampla.

A nota enfatiza que “o mandato representativo não se encerra nos muros da Câmara Municipal e exige a presença ativa junto à sociedade”. Essa defesa busca contextualizar a presença na Marcha da Diversidade como parte das responsabilidades do cargo. O gabinete do vereador Angelo Vanhoni não se manifestou até o momento da publicação.

O Andamento da Investigação na Câmara Municipal

Na reunião de segunda-feira, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Curitiba acolheu a denúncia e a encaminhou à Corregedoria da Casa. A corregedora, vereadora Delegada Tathiana Guzella (PL), analisará os elementos apresentados.

Ela decidirá se há indícios para instaurar uma sindicância formal para apurar os fatos. Caso a investigação seja aberta, a Corregedoria terá um prazo de até 30 dias para concluir o processo e apresentar suas conclusões.

Este procedimento visa garantir a transparência e a correta aplicação das normas que regem o comportamento dos vereadores de Curitiba, em respeito ao Código de Ética e Decoro Parlamentar.

Possíveis Penalidades para os Envolvidos

Se a apuração da Corregedoria concluir que houve uso irregular dos veículos oficiais, os vereadores de Curitiba Angelo Vanhoni e Professora Angela poderão responder por infração ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba.

As penalidades variam conforme a gravidade da conduta comprovada. Elas podem ir de uma advertência formal até a recomendação de perda do mandato parlamentar.

A decisão final sobre a aplicação de qualquer penalidade, especialmente a perda de mandato, cabe ao plenário da Câmara Municipal de Curitiba, após votação dos demais vereadores de Curitiba.