Tribunal do Júri de Cuiabá reconheceu Alex Roberto de Queiroz Silva como autor do homicídio, impondo regime fechado, multa e indenização de 40 salários mínimos.
O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva foi condenado a mais de 33 anos de prisão em regime fechado pela morte do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, em um crime de grande repercussão em Cuiabá.
A decisão do Tribunal do Júri marca um passo importante na elucidação de um assassinato que, segundo as investigações, foi motivado por uma complexa disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras em Novo São Joaquim.
A trama revelou um esquema de execução por encomenda, com valores que ultrapassam os R$ 200 mil, e o envolvimento de mandantes e intermediários, incluindo policiais militares, conforme informações divulgadas pelo G1.
A Sentença Pelo Homicídio Qualificado
A condenação de Alex Roberto de Queiroz Silva, o caseiro apontado como atirador, foi proferida pelo Tribunal do Júri. Ele recebeu uma pena de 33 anos, um mês e 15 dias de reclusão, a ser cumprida em regime fechado, além de multa e indenização de 40 salários mínimos à família da vítima.
O réu havia confessado ser o autor dos disparos que tiraram a vida do advogado Renato Gomes Nery. A sentença reforça a gravidade do crime e a responsabilidade direta do executor no assassinato encomendado.
A Trama por Trás do Crime: Disputa de Terras e Pagamento
A investigação da Polícia Civil revelou que o assassinato de Renato Nery foi um crime minuciosamente planejado. A motivação central era uma disputa judicial por extensas áreas de terras, localizadas em Novo São Joaquim, no Mato Grosso.
O Ministério Público apontou o casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi como os mandantes do assassinato, que teriam desembolsado R$ 200 mil pela execução. Essa quantia evidencia a dimensão e a premeditação da ação criminosa.
No intrincado esquema, policiais militares também teriam atuado como intermediários. O sargento da PM Heron Teixeira Pena Vieira é acusado de receber dinheiro e a arma, além de contratar Alex para a execução. Os PMs Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa são investigados por fornecer a arma, facilitar o pagamento e coordenar o crime.
Ambos os policiais também respondem por fraude processual qualificada e abuso de autoridade, suspeitos de tentarem obstruir as investigações sobre a morte do advogado.
O Dia do Atentado Fatal em Cuiabá
O ataque que vitimou Renato Gomes Nery ocorreu em julho de 2024, quando o advogado chegava ao seu escritório em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o atirador Alex Roberto já o aguardava no local, agindo de forma premeditada.
Câmeras de segurança registraram o momento em que o advogado foi atingido pelos tiros e caiu. O atirador, após cometer o crime, fugiu rapidamente em uma motocicleta. Renato Nery não resistiu aos ferimentos e faleceu um dia após o atentado, sendo sepultado na capital mato-grossense.
O Rastreamento dos R$ 215 Mil e a Cronologia dos Pagamentos
Em março de 2024, a Polícia Civil, com autorização judicial para quebra de sigilo bancário, conseguiu rastrear um montante de R$ 215 mil, supostamente ligado ao pagamento pela execução do advogado. A empresária Julinere Goulart Bastos, uma das mandantes, teria feito uma transferência inicial de R$ 200 mil em 4 de março de 2024.
A complexa rede de movimentações financeiras foi utilizada para tentar ocultar a origem e o destino final dos valores. O dinheiro passou por contas de terceiros em uma sequência de transações que indicam uma possível lavagem de dinheiro, conforme apontado pela investigação.
A cronologia detalhada das transferências revela o esforço para camuflar o pagamento. Em 5 de março de 2024, parte do dinheiro foi usada na compra de um veículo no valor aproximado de R$ 115 mil e R$ 40 mil foram transferidos para a mãe de um dos investigados. No dia 6 de março de 2024, o restante do valor seguiu para a conta do próprio investigado.
Posteriormente, em 8 de março de 2024, foi identificado um pagamento direto de R$ 15 mil da suspeita apontada como mandante ao segundo investigado. A dinâmica do pagamento foi confirmada em depoimento por um dos envolvidos em 12 de março de 2024, solidificando as provas financeiras contra os acusados.