A presença da ostra invasora comestível “tampinha” nos manguezais de Cananéia, SP, acende um alerta urgente para a biodiversidade e o sustento de comunidades.
Uma espécie de ostra originária dos oceanos Índico e Pacífico, conhecida popularmente como “tampinha”, está causando preocupação em ecossistemas costeiros do litoral paulista.
Essa ostra invasora comestível, cientificamente denominada Saccostrea cucullata, tem se proliferado rapidamente nos manguezais de Cananéia, ameaçando as espécies de ostras nativas e o equilíbrio ambiental da região.
Para combater essa invasão e proteger a rica biodiversidade local, mutirões de retirada da espécie asiática estão sendo realizados, conforme informações divulgadas pelo g1.
Como a ostra invasora comestível chegou ao Brasil?
A chegada da ostra invasora comestível ao Brasil é atribuída, provavelmente, à água de lastro de navios. A professora Marília Cunha Lignon, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explicou à TV Tribuna que essa água, usada para equilibrar as embarcações, pode transportar larvas de espécies não nativas.
Quando essas larvas são liberadas em um novo ambiente, elas podem se desenvolver e estabelecer populações. “Quando uma espécie é identificada como invasora, significa que não é de determinado local e já está acarretando sérios problemas econômicos, ambientais e sociais”, pontuou a professora.
Por que a erradicação da ostra invasora comestível é crucial?
Um estudo da Unesp de 2025 ressalta que a Saccostrea cucullata possui uma vantagem competitiva significativa sobre as ostras nativas. Sua alta capacidade reprodutiva, dispersão larval eficaz e grande resistência ambiental contribuem para sua rápida proliferação.
A ostra invasora comestível forma agregados densos que impedem a fixação das espécies nativas, comprometendo a produtividade da pesca tradicional. Essa alteração pode desequilibrar a dinâmica ecológica dos mangues, que são vitais como berçários naturais para diversas espécies marinhas.
Além dos impactos ambientais diretos, a expansão dessa ostra asiática também representa uma ameaça social e econômica. A pesca artesanal de ostras nativas é uma fonte essencial de sustento para inúmeras comunidades da região de Cananéia.
Estratégias de preservação e o uso da espécie invasora comestível
Para enfrentar o problema, a Unesp, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e outras instituições, desenvolveu um projeto de monitoramento e educação ambiental. A iniciativa envolve pesquisadores e as comunidades pesqueiras locais na busca por soluções.
Recentemente, um mutirão foi realizado em Cananéia para extrair as ostras invasoras comestíveis dos mangues. O projeto vai além da simples remoção, buscando transformar o problema em uma oportunidade econômica.
A ideia é preparar a espécie para a venda, fomentando a economia de quem vive da retirada de ostras na região. Apesar de sua carne ser mais amarelada que a da ostra nativa, a “tampinha” pode ser utilizada em diversos pratos, como farofa e o tradicional arroz mandirano, que também leva palmito.