João Bosco celebra 80 anos com o álbum ‘Amigos Novos e Antigos’ e convidados de peso

Ao completar 80 anos no último mês de julho, João Bosco decidiu presentear o público com um projeto singular em sua trajetória: o álbum Amigos Novos e Antigos. Pela primeira vez em sua longa carreira, o violonista e cantor mineiro dedica um disco inteiramente a duetos, reunindo 17 faixas que contam com participações de nomes que vão de Chico Buarque e Zeca Pagodinho a talentos contemporâneos como Tiago Iorc e Anitta.

Um novo olhar sobre a obra

O projeto nasceu de uma parceria entre João e sua filha, Julia Bosco, que assina a direção artística. Para evitar o tom de nostalgia excessiva, a produção musical e os arranjos foram divididos com o trombonista Rafael Rocha. A escolha de Rocha, expoente da nova geração, foi fundamental para injetar um sopro de modernidade, especialmente nos arranjos de metais e cordas que redefinem canções consagradas sem perder a essência original.

O primeiro ato: ‘Amigos Novos e Antigos – Parte I’

O EP de estreia, que antecede o lançamento completo do álbum em setembro, traz seis faixas que já demonstram a versatilidade do projeto. Logo na abertura, Mart’n’alia empresta sua sagacidade a Kid Cavaquinho, enquanto Hamilton de Holanda traz a agilidade de seu bandolim para a densa Nação. A curadoria das participações é um dos pontos altos, como no caso de Zeca Pagodinho, que se integra perfeitamente à crônica social de Siri recheado e o cacete.

Surpresas e revisitações técnicas

Entre os destaques da primeira parte está a colaboração com Tiago Iorc em Perfeição, um momento que evoca a herança da bossa nova de João Gilberto com uma roupagem contemporânea. O álbum também reserva espaço para a maestria técnica de Cesar Camargo Mariano em Casa de marimbondo, onde o piano conduz a narrativa antes mesmo da entrada da voz de Bosco. Já a faixa Boca de sapo aparece como um respiro instrumental e vocal solo, mantendo viva a conexão ancestral que o artista sempre cultivou.

A atemporalidade de um mestre

O título do álbum, uma referência à composição de João Bosco e Aldir Blanc de 1974, resume o espírito da obra: um diálogo contínuo entre o passado e o presente. Ao percorrer as alamedas de sua própria memória, João Bosco prova que sua música permanece viva, mutável e, acima de tudo, necessária. Com arranjos que equilibram o rigor técnico e a emoção, o artista celebra oito décadas de vida reafirmando seu lugar como um dos pilares mais criativos da música brasileira.