Terremoto de magnitude 7,4 devasta oeste da Colômbia; mortos já passam de 220 e buscas por sobreviventes continuam…

Por Ricardo Cantarelle

Correspondente Internacional: Mauro Luis

A terra tremeu por longos segundos na manhã da última segunda-feira (10), e a Colômbia não foi mais a mesma.

Às 7h34, horário local, um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu o oeste do país, com epicentro nas proximidades do município de San José del Palmar, no departamento do Chocó um abalo que, segundo o Serviço Geológico Colombiano (SGC), teve origem a mais de 100 quilômetros de profundidade e liberou uma energia sísmica 25 vezes superior à do terremoto do Chocó de 1995 e 150 vezes maior que a do histórico sismo do Eixo Cafeteiro de 1999.

O saldo humano, que na primeira hora após o tremor somava pouco mais de 70 vítimas, escalou rapidamente ao longo dos dias seguintes. Nesta quarta-feira (12), balanço divulgado pelo governo colombiano já contabilizava ao menos 224 mortos e mais de 2.500 feridos números que as autoridades tratam como provisórios, à medida que equipes de resgate seguem escavando os escombros à procura de desaparecidos.

Mais de 60 edifícios colapsaram e cerca de cinco mil residências apresentam danos graves, com o epicentro humano da tragédia concentrado em Pereira, Cali, Manizales e outras cidades da região do Eixo Cafeteiro.

Em Pereira, um dos capítulos mais duros da tragédia se desenrolou em um edifício de referência na cidade: o 12º andar da construção colapsou sobre os pavimentos inferiores, soterrando moradores em pleno horário comercial.

Cenas semelhantes se repetiram em Cali, onde um motel desabou e vizinhos se transformaram, na hora, em socorristas improvisados muito antes da chegada das equipes especializadas. O aeroporto de Pereira também não resistiu: parte do teto do terminal cedeu com o impacto do abalo, agravando o caos logístico justamente no momento em que a cidade mais precisava de rotas de socorro abertas.

O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, recém-empossado, decretou estado de desastre nacional em meio ao que se tornou o primeiro grande teste de sua gestão. O governo montou um Posto de Comando Unificado a partir da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (Ungrd) e deslocou ministros e equipes de emergência para as áreas mais castigadas.

Toques de recolher noturnos foram decretados em diversas cidades afetadas, medida que as autoridades justificam como prevenção a saques e proteção ao trabalho dos socorristas; aulas em escolas e universidades das localidades sob restrição foram suspensas.

O tremor não respeitou fronteiras. Foi sentido com intensidade em Bogotá e em outras capitais colombianas, além de provocar evacuações de prédios e repartições públicas no Equador e no Panamá onde moradores relataram, aos organismos de imprensa locais, terem saído às ruas assim que sentiram o chão balançar.

Réplicas seguem sendo registradas pelo SGC nos dias seguintes ao evento principal, incluindo um novo sismo de magnitude 3,3 já na madrugada desta quarta-feira, sentido em várias cidades sinal de que a crosta na região do Chocó ainda busca acomodação.

A resposta internacional começou a se organizar, ainda que sob certa tensão diplomática: o embaixador da China na Colômbia, Zhu Jingyang, cobrou publicamente do governo colombiano a indicação de um canal oficial para coordenar a ajuda externa, classificando o pedido como urgente.

México e Nações Unidas sinalizaram ter assistência pronta para envio, à espera de solicitação formal de Bogotá.

A Starlink, empresa de Elon Musk, passou a oferecer conexão de internet gratuita nas zonas mais atingidas, segundo apurado pela imprensa colombiana um recurso crítico em áreas onde a infraestrutura de telecomunicações também foi comprometida pelo tremor.

O Papa Leão XIV, por sua vez, dedicou orações às famílias das vítimas durante audiência geral no Vaticano nesta quarta-feira.

Passadas mais de 48 horas do abalo, especialistas em resgate lembram que a chamada “janela de ouro” para localizar sobreviventes com vida sob escombros geralmente estimada entre 48 e 72 horas está se estreitando.

Ainda assim, equipes seguem trabalhando contrarrelógio em Cali e Pereira, com apoio de brigadas caninas e militares, na esperança de repetir os resgates que, nos primeiros dias, arrancaram sobreviventes dos destroços sob aplausos de voluntários e moradores.

A Colômbia inteira, por ora, segue contando seus mortos e vasculhando seus escombros numa corrida contra o tempo que, a cada hora que passa, se torna mais dura.

Fontes: Serviço Geológico Colombiano (SGC), Presidência da Colômbia, Asociación Colombiana de Ciudades Capitales (Asocapitales), El País América Colombia, Infobae Colômbia, CNN em Espanhol, El Tiempo, Wikipedia (verbete “Terremoto de Colombia de 2026”).