A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) manifestou profunda preocupação com uma operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na identificação de uma fonte jornalística. O caso envolve o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, alvo de busca e apreensão após ser apontado como informante do jornalista Luís Pablo.
A quebra do sigilo da fonte
O episódio teve origem em março, quando aparelhos eletrônicos do jornalista Luís Pablo foram apreendidos em uma operação judicial. A partir da análise desses dispositivos, a Polícia Federal identificou as fontes que forneceram informações para reportagens sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Para a SIP, o uso de material apreendido de profissionais de imprensa para localizar informantes é uma prática que ameaça diretamente o exercício do jornalismo.
Impacto no jornalismo investigativo
Pierre Manigault, presidente da entidade, destacou que a proteção de fontes confidenciais não é um privilégio do profissional, mas uma garantia indispensável para a democracia. Segundo ele, quando a identidade de um informante é exposta, reduz-se a confiança necessária para que cidadãos denunciem fatos de interesse público sem medo de represálias, enfraquecendo o papel fiscalizador da imprensa.
Violação de princípios internacionais
A SIP reforçou que o sigilo da fonte é um princípio inviolável, amparado por documentos como a Declaração de Chapultepec e as diretrizes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Martha Ramos, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da organização, advertiu que a decisão pode criar um precedente perigoso para jornalistas em todo o território brasileiro, desencorajando investigações independentes.
Reação das entidades brasileiras
Entidades ligadas à imprensa, como ABERT, ANER, ANJ, ABRAJI e FENAJ, já se manifestaram contra a decisão que resultou na quebra do sigilo da fonte de um jornalista. As entidades alertaram para os riscos da medida à liberdade de imprensa e à garantia constitucional do sigilo da fonte.
Diante disso, fica a pergunta: onde está a ABI, Associação Brasileira de Imprensa? Até o momento, não localizamos uma manifestação oficial da entidade especificamente sobre este caso.