A morte da adolescente Maria Luiza Abreu Estevam, de 15 anos, gerou revolta e questionamentos sobre a qualidade do atendimento na rede pública de saúde do Distrito Federal. A jovem faleceu na última quinta-feira (13), após uma sucessão de idas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que, segundo a família, não identificou a gravidade de seu estado de saúde a tempo.
O histórico do atendimento
Tudo começou no dia 8, quando Maria Luiza procurou a UPA de Sobradinho relatando dores de dente. Na ocasião, ela foi medicada e liberada. Como não houve melhora, a adolescente retornou à unidade no dia seguinte, recebendo novamente apenas orientações para seguir o tratamento em casa. Somente no dia 12, após apresentar sintomas graves como falta de ar, sonolência, náuseas e dor de cabeça, ela foi transferida para o Hospital da Criança, onde foi internada na UTI, mas não resistiu.
Laudo aponta hemotórax e sepse
Exames realizados pelo Serviço de Verificação de Óbito revelaram um quadro complexo. A causa da morte foi sepse (infecção generalizada), agravada pela presença de dois vírus (rinovírus e influenza B). Além disso, a necropsia identificou um hemotórax — acúmulo de 300 mililitros de sangue ao redor do pulmão —, fator que pode ter sido determinante para o óbito. Diante dessas descobertas, a família registrou um boletim de ocorrência, e o caso é tratado pela Polícia Civil como morte suspeita.
Família clama por justiça
O pai da jovem, André Abreu, questiona a conduta das equipes médicas e afirma que a filha, que era asmática, apresentava sinais claros de que algo mais grave estava ocorrendo. “Eles estão tirando a própria responsabilidade e colocando em cima dos pais. Nós sabíamos que não era só dor de dente”, desabafou. A família busca agora respostas sobre possíveis falhas no protocolo de atendimento e cobra punição para os responsáveis.
Posicionamento do IgesDF
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) lamentou o falecimento e afirmou que a paciente recebeu o suporte necessário assim que a gravidade do quadro foi detectada. Em nota, o órgão informou que a jovem foi encaminhada para a Sala Vermelha e, posteriormente, transferida para o Hospital da Criança. O IgesDF ressaltou que segue colaborando com as autoridades competentes e que manterá o sigilo médico, conforme exige a legislação vigente.