Cientistas criam exército de polvos para conter praga de caranguejos que causa prejuízo milionário na Itália

Um inusitado projeto biológico está em curso no Mar Adriático, na Itália. Pesquisadores da Universidade de Bolonha estão soltando milhares de filhotes de polvo com um objetivo claro: conter a explosão populacional do caranguejo-azul, um crustáceo invasor que tem causado prejuízos bilionários à economia pesqueira local.

Uma ameaça de milhões de euros

O caranguejo-azul, originário da costa atlântica da América do Norte, chegou ao Mediterrâneo há décadas, provavelmente através da água de lastro de navios. No entanto, o aquecimento das águas e as mudanças climáticas impulsionaram sua reprodução de forma drástica nos últimos anos. Com pinças poderosas, o crustáceo devasta plantações de mariscos e amêijoas, gerando perdas estimadas em até 200 milhões de euros em toda a Itália.

A estratégia do projeto Octo-Blu

Para enfrentar essa praga, o projeto Octo-Blu, financiado pela região da Emilia-Romagna, aposta no polvo-comum. “Escolhemos o polvo porque, em seu habitat natural, ele é um predador extremamente eficiente de crustáceos”, explica o pesquisador Antonio Casalini. Os filhotes são criados em laboratório e liberados próximos a recifes artificiais, criados especialmente para garantir que os animais sobrevivam até a fase adulta.

Milhares de predadores em ação

Desde junho, entre 80 mil e 130 mil polvos já foram introduzidos no ecossistema marinho. A equipe da Universidade de Bolonha planeja dobrar esse número até o final de agosto. A esperança é que, ao estabelecer uma comunidade de polvos, o controle biológico sobre os caranguejos se torne mais eficaz, atacando especialmente as fêmeas antes que elas possam liberar seus milhões de ovos.

Limitações e perspectivas futuras

Os pesquisadores reconhecem que o projeto enfrenta desafios. O polvo-comum prefere ambientes rochosos e pode ter dificuldades em se adaptar às águas arenosas das lagoas, onde a praga é mais intensa. Por isso, a equipe já estuda estratégias complementares, como o uso de robalos e enguias, que também possuem hábitos alimentares capazes de reduzir a população de caranguejos. Embora seja um projeto-piloto, a iniciativa é vista como uma das poucas esperanças para restaurar o equilíbrio do ecossistema marinho na costa italiana.