Irã condena duas mulheres à morte por participação em protestos contra o regime

O regime iraniano proferiu sentenças de morte contra duas mulheres acusadas de envolvimento nas manifestações que abalam o país desde o final de 2025. As condenações, ocorridas em processos distintos na região de Isfahan, representam um novo capítulo na repressão estatal contra opositores, levantando alertas de organizações internacionais de direitos humanos.

O caso de Taraneh Rahimi

Taraneh Rahimi, de 20 anos, foi sentenciada à morte ao lado de nove homens. A acusação está ligada a episódios de violência em uma praça de Isfahan, onde um integrante das forças de segurança morreu. Segundo a organização HRANA, advogados dos réus relataram restrições severas ao acesso aos autos do processo e falta de tempo para analisar as provas da acusação. No mesmo julgamento, a irmã de Taraneh, Romina, recebeu uma sentença de 36 anos de prisão.

Acusação de ‘guerra contra Deus’

A segunda condenada é Leila Abolhasani, de 43 anos e mãe de duas adolescentes. Ela foi acusada de participar do incêndio de um estabelecimento comercial durante os protestos. Familiares negam a autoria, afirmando que Leila apenas filmava a cena no momento em que foi detida. Apesar das alegações, a Justiça iraniana a condenou sob a acusação de “guerra contra Deus”, crime sujeito à pena capital. O caso aguarda revisão na Suprema Corte.

Escalada de execuções no país

As sentenças ocorrem em um cenário de aumento drástico das execuções no Irã. Embora homens já tenham sido executados por envolvimento nos protestos, estes seriam os primeiros casos envolvendo mulheres sob tais acusações específicas. Dados da organização Iran Human Rights (IHR) indicam que pelo menos 29 homens foram executados neste ano por razões ligadas às manifestações, enquanto o número total de execuções no país desde o início de 2026 supera a marca de 950.

Contexto de repressão e greves de fome

Os protestos, que começaram devido à crise econômica, rapidamente evoluíram para críticas diretas à estrutura do regime. Entidades como o Center for Human Rights in Iran (CHRI) denunciam que os julgamentos têm sido acelerados, com relatos frequentes de confissões obtidas sob tortura e ausência de defesa técnica adequada. Em resposta, presos políticos têm organizado campanhas de greve de fome em diversas prisões do país, protestando contra a celeridade das sentenças e a falta de garantias fundamentais nos processos judiciais.