Documentos da PF revelam que banqueiro Daniel Vorcaro ameaçou site com ‘processo fake news’ e tentou blindagem paga

Ameaças e tentativas de controle editorial

Relatórios da Polícia Federal (PF) no âmbito do Caso Master, disponibilizados pelo ministro André Mendonça após solicitação de Edson Fachin, expuseram uma postura agressiva do banqueiro Daniel Vorcaro em relação à imprensa. Em 2024, ao se deparar com uma reportagem desfavorável sobre seu banco, Vorcaro afirmou que o veículo de comunicação deveria ser alvo de um ‘processo fake news’, sugerindo uma tentativa de intimidação jurídica.

Esquema de ‘blindagem’ por R$ 50 mil

As mensagens interceptadas mostram que Vorcaro não buscava apenas a remoção de conteúdos específicos. O banqueiro manteve conversas com um interlocutor, identificado como ‘Sicário’, para viabilizar um pagamento mensal de R$ 50 mil a um site. O objetivo era criar um ‘filtro’ permanente que impedisse a publicação de qualquer título mencionando seu nome ou o Banco Master. Em um dos diálogos, o banqueiro chega a ordenar: ‘Não pode sair uma frase com meu nome ou Master’.

Proximidade sob investigação no STF

O período das mensagens coincide com uma cronologia de aproximação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, mediada pelo escritório Barci de Moraes, de titularidade da esposa do magistrado. Documentos revelam que o escritório teria recebido valores vultosos, na casa dos R$ 131 milhões. A relação incluía pedidos de ‘blindagem’ contra decisões desfavoráveis e acesso a informações sigilosas, levantando debates sobre a lisura dos trâmites no Supremo Tribunal Federal.

O Inquérito das Fake News em xeque

O caso ganha contornos mais complexos devido ao contexto do Inquérito das Fake News, que tramita há sete anos sob críticas de excesso de poder e perseguição política. Com a mudança de relatoria para o ministro Edson Fachin, o plenário do STF se prepara para uma sessão extraordinária que pode definir o futuro das investigações envolvendo a conduta do ministro Alexandre de Moraes. A divulgação dos relatórios da PF joga luz sobre as práticas de bastidores que se confundem com as esferas de poder do Judiciário brasileiro.