Jardim Pantanal: Moradores enfrentam mais de 60 horas debaixo d’água e relatam crise humanitária na Zona Leste de SP

Ilhados e sem trabalho: a realidade da crise

O Jardim Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, enfrenta um cenário crítico após mais de 60 horas com ruas submersas. O que antes era um problema concentrado no verão agora se tornou uma rotina preocupante também no inverno. A chuva que retornou nesta segunda-feira (14) agravou a situação de moradores que, desde sábado (12), não conseguem sair de casa para trabalhar, perdendo sua fonte de renda.

O dilema do abrigo e a insegurança

Muitas famílias foram forçadas a deixar suas residências, com 12 delas encontrando refúgio na Escola Estadual Cristina de Castro Paes. No entanto, o abandono dos imóveis traz um novo medo: a insegurança. Moradores relatam que, em enchentes passadas, casas desocupadas foram saqueadas, resultando na perda de bens essenciais. A comunidade, composta por cerca de 45 mil pessoas, vive sob a constante ameaça das águas do Rio Tietê.

Obras e a promessa dos pôlderes

A prefeitura de São Paulo afirma que tem atuado na região por meio do ‘Plano Recupera Pantanal’, com R$ 59,8 milhões investidos em drenagem e contenção. Embora estruturas como o pôlder da Vila Seabra tenham sido acionadas, líderes comunitários, como Euclides Mendes, apontam que o ritmo das obras é insuficiente. Enquanto pôlderes resolveram o problema em áreas vizinhas, como o Jardim Romano, a falta de continuidade nas intervenções deixa o Jardim Pantanal vulnerável.

Solidariedade em meio ao caos

Sem assistência completa, a rede de apoio local tem sido o principal sustento da população. Voluntários organizaram cozinhas improvisadas para distribuir centenas de marmitas diariamente. Enquanto isso, equipes da Sabesp e da prefeitura utilizam bombas de sucção para tentar devolver a água das ruas ao Rio Tietê, um processo lento e dificultado pelo alto nível do próprio rio, que impede o escoamento eficiente e mantém as famílias em estado de alerta permanente.