A Justiça de Minas Gerais determinou a liberdade de Matheus Bruno Andrade Fernandes e Bruno Gleidson Fernandes, pai e filho que estavam presos preventivamente desde uma operação policial na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A decisão, assinada nesta quinta-feira (17) pela 1ª Vara das Garantias da Comarca da capital, foi motivada por sérias dúvidas sobre a regularidade da apreensão de entorpecentes no imóvel da família.
Suspeita de fraude em operação policial
O caso ganhou repercussão após a Corregedoria da Polícia Civil iniciar uma investigação contra três agentes do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc). Imagens registradas durante a própria diligência levantaram a suspeita de que a droga encontrada no quarto de Matheus teria sido “plantada” pelos policiais. A defesa argumentou que houve irregularidades desde a localização de um tablet até a origem do entorpecente, tese que contou com manifestação favorável do Ministério Público para a soltura dos investigados.
Divergências na situação dos investigados
A juíza Fernanda Chaves Carreira Machado ressaltou em sua decisão que, embora existam elementos mais concretos sobre a posse de uma arma de fogo por parte de Matheus, a origem da maconha permanece sob forte controvérsia. Em relação a Bruno Gleidson, o pai, a magistrada entendeu que os indícios eram frágeis, destacando que o simples fato de morar no mesmo endereço não é prova suficiente para vincular o familiar aos objetos apreendidos no quarto do filho.
Medidas cautelares aplicadas
Com a revogação da prisão preventiva, pai e filho deverão cumprir medidas cautelares rigorosas para responder ao processo em liberdade. Entre as exigências estão a manutenção do endereço e telefone atualizados junto à Justiça e o comparecimento obrigatório a todos os atos processuais. O descumprimento dessas regras pode resultar na decretação de uma nova prisão.
Investigação contra agentes segue em curso
A operação, realizada em 7 de agosto, resultou na decretação da prisão preventiva dos policiais civis Rafael Egg Macedo, Rodrigo Otávio Andrade e Ana Luiza Guimarães Carvalho. Até o momento, apenas Rafael foi detido. A Polícia Civil reforçou que não compactua com desvios de conduta e garante que o procedimento administrativo apurará os fatos com total isenção e rigor, buscando esclarecer se houve, de fato, a fraude na apreensão que motivou a prisão dos familiares.