Do Morro do Parapente à fábrica de aviões: TVC acompanha obras e projetos apresentados por Quaquá

Por Ricardo Cantarelle

Há cinquenta anos eu vivo em Maricá, e nunca tinha subido ao Morro do Parapente. Não foi desinteresse. A estrada não deixa: erosão, buracos, trechos alagados, uma serra que só se vence com o veículo certo e muita paciência. No último domingo, 27 de setembro, a TVC foi convidada pelo prefeito Washington Quaquá a conhecer de perto alguns dos projetos que ele se prepara para tirar do papel. A primeira parada foi justamente lá.

Chegar ao topo foi uma surpresa. A vista da cidade e da lagoa é uma obra-prima da criação, e fiquei diante dela pensando em quantos maricaenses morreram sem conhecê-la. O próprio prefeito confessou, diante da câmera, que era a primeira vez que subia ali. Ele gravou vídeos no local e respondeu às perguntas da TVC sobre o que pretende fazer no morro.

Asfalto, cimento nas curvas e um ano de obra

Na transcrição do vídeo, Quaquá descreve o plano com minúcia. O asfalto virá da parte baixa, passando pelo Retiro e pelo Cacheto, até chegar ao morro. Nas curvas haverá cimento, para dar aderência à subida. Segundo o prefeito, a obra começa em cerca de dez dias, e o balcão de obras já está instalado. A previsão dele é de um ano de trabalho, com entrega no final de 2027. Ele classificou o local como “o lugar mais bonito de Maricá”, e resumiu o objetivo ao dizer que o turista é o povo de Maricá. A primeira meta, afirmou, é garantir o acesso da própria população.

O projeto prevê ainda a pista de parapente e a manutenção do restaurante e das aulas de voo que já funcionam no local. Quaquá falou em chalés e hotéis boutique, mas ressalvou que a área é de proteção ambiental e que a equipe de meio ambiente a estuda. “Tem que tomar cuidado, tem que fazer as coisas direito”, disse. É a ressalva certa, e a TVC vai acompanhar o licenciamento passo a passo.

Num ponto o prefeito foi direto: o morro ficou oito anos sem receber nenhuma obra.

Onde um avião nasce de uma planta.

Do alto do morro, seguimos para o Galpão Tecnológico, também conhecido como Origens, núcleo inicial do projeto da fábrica de aviões da Desaer em Maricá. É ali que se concentram as etapas iniciais de engenharia, os testes, a capacitação de profissionais locais e a validação do projeto aeronáutico da cidade. Vários engenheiros esperavam o prefeito para apresentar o que já foi feito e as próximas etapas.

Saí do galpão convencido de que o projeto já tem gente trabalhando nele. Em parte, essa gente foi formada na própria cidade, pelo passaporte universitário. A ideia de uma aeronave concebida e construída em Maricá deixou de ser só conversa.

A reunião no centro operacional.

Depois fomos ao centro operacional do prefeito, onde acontecem as reuniões e se faz o planejamento. Dois empresários paulistas de projeção nacional e internacional aguardavam Quaquá. Pedi licença para deixá-lo à vontade, e ele reagiu de imediato: puxou uma cadeira e me convidou a sentar e participar. Não tive muito o que dizer, porque o que se tratava ali estava acima do meu conhecimento técnico.

Deixei a sala com a impressão de que o prefeito mira uma ambição de escala internacional para Maricá.

Quando os empresários saíram, ele me mostrou o que prepara. Num monitor grande, apresentou a transformação urbana que projeta para a cidade, acompanhado de dois assessores e de um jovem arquiteto, que coordena outros oito sob a supervisão de arquitetos renomados.

São projetos grandiosos. Se saírem do papel, Maricá será conhecida no mundo todo.

Comentei com o prefeito que, se não estivesse vendo tudo de perto, teria dúvidas diante da dimensão do que ele traça. Ele me respondeu mostrando os projetos.

O gestor que olha mais longe

Conheço Quaquá há mais de trinta anos. Lembro bem que, no passado, ele fez promessas que muita gente jurava só existirem na imaginação dele.

A leitura que faço, como testemunha desse percurso, é que boa parte delas foi cumprida. Hoje ele se impõe um desafio maior: pôr Maricá na vitrine do mundo e fazer cada morador poder dizer, com orgulho, que mora numa cidade que ajudou a transformar. É o que distingue o gestor visionário do administrador comum, que se contenta em tocar o que já existe.

A cidade que sai dessas reuniões deixa de ser um simples município e passa a ser, nas palavras do próprio prefeito, uma cidade encantada, onde um castelo marca o brilho de um sonho que se torna realidade.

A TVC acompanhará cada etapa: o início do asfaltamento no Morro do Parapente, o licenciamento ambiental da área e o avanço do projeto aeronáutico. Os prazos, por enquanto, são promessas do prefeito, e vamos medi-los pelo calendário.