A reta final da corrida eleitoral brasileira foi marcada por uma turbulência institucional sem precedentes. Entre a queda na popularidade do Supremo Tribunal Federal (STF) e o cancelamento de debates presidenciais, o cenário político consolidou uma semana de alta voltagem, onde o papel do Judiciário e a conduta de aliados do governo ocuparam o centro do debate público.
STF sob pressão: recorde de rejeição e reformas no radar
O dado que mais repercutiu nos últimos dias foi o levantamento do Datafolha, que revelou o pior cenário histórico para o STF. Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados consideram a atuação do tribunal ruim ou péssima, enquanto apenas 18% a avaliam positivamente. Esse desgaste coincide com o fortalecimento de propostas no Congresso que visam limitar os poderes da Corte, incluindo a implementação de mandatos fixos para ministros e novos mecanismos de responsabilização disciplinar.
Investigações e suspeitas sobre o entorno do governo
A tensão política também foi alimentada por desdobramentos de investigações da Polícia Federal. Apurações sobre possíveis irregularidades envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e assessores próximos ao presidente em contratos com a Petrobras e a empresa Unigel trouxeram novos questionamentos sobre ética e governança. Embora os citados neguem qualquer irregularidade e aleguem vazamentos seletivos, o episódio tornou-se munição para a oposição na reta final da campanha.
Debate cancelado e crise institucional
O momento mais crítico da semana ocorreu com o cancelamento do principal debate presidencial da TV Globo. Após decisões do STF e do TSE que proibiram a exibição de um ‘púlpito vazio’ para o candidato ausente e restringiram perguntas a terceiros, a emissora optou por suspender o evento. A reação foi imediata: governadores e lideranças políticas classificaram o episódio como uma interferência indevida do Judiciário, levantando preocupações sobre a deterioração das instituições democráticas.
Religião, apostas e influência internacional
A pauta eleitoral foi expandida por temas que mobilizam o eleitorado de forma emocional e prática. A polêmica religiosa envolvendo Nossa Senhora Aparecida dominou as redes, enquanto a proibição das ‘bets’ (apostas esportivas) emergiu como uma promessa central de campanha. No campo externo, a disputa ganhou contornos globais com as críticas ácidas do presidente argentino Javier Milei ao governo brasileiro e reportagens sobre possíveis financiamentos internacionais a grupos que contestam o Judiciário, transformando a eleição brasileira em um palco de influências geopolíticas.