Rede de tráfico sob investigação
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS) deflagrou nesta quinta-feira (15) a Operação Capolinea, focada em desmantelar uma organização criminosa que transportava drogas da Bolívia para o Brasil. Com o cumprimento de 21 mandados de prisão e 20 de busca em quatro estados, a ação mira chefes de facções e colaboradores internos, resultando no bloqueio de R$ 24 milhões em bens dos investigados.
O papel de Gerson Palermo
Entre os alvos principais está Gerson Palermo, apontado como um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O criminoso, que possui um histórico de crimes como o sequestro de um avião da Vasp no ano 2000, ganhou notoriedade nacional após ser beneficiado por uma prisão domiciliar concedida por um desembargador em 2020. Na ocasião, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e permaneceu foragido por seis anos na Bolívia, sendo recapturado apenas em maio deste ano.
Vigilante da PF facilitava o crime
Um dos pontos mais alarmantes da investigação é a participação de um vigilante da Delegacia da Polícia Federal em Corumbá. Enteado de um dos líderes do grupo, o servidor utilizava seu acesso privilegiado para repassar informações sobre rotinas policiais, movimentações de equipes e documentos internos. Além disso, as investigações apontam que ele participava ativamente do transporte de drogas e guardava entorpecentes em sua residência.
Logística do tráfico em minérios
O esquema criminoso utilizava caminhões carregados de minério de ferro para escoar a droga da Bolívia. O grupo aliciava funcionários de mineradoras, incluindo supervisores e operadores de balança, para garantir que os veículos passassem sem fiscalização. Estima-se que, durante o período investigado, a organização tenha movimentado cerca de 24 toneladas de entorpecentes. O nome da operação, ‘Capolinea’ (fim da linha em italiano), reflete o esforço das autoridades em encerrar definitivamente as atividades desse grupo criminoso.