O Vale do Paraíba registrou, em 2025, o maior número de mortes por câncer de mama dos últimos 30 anos. De acordo com um levantamento realizado a partir de dados do Ministério da Saúde, a região contabilizou 330 óbitos pela doença, o que representa um salto de mais de 20% em relação ao ano anterior. Desde o início da série histórica, em 1996, o acumulado chega a 5.440 vítimas nas 39 cidades da região.
Concentração de casos e tendência de alta
São José dos Campos lidera o ranking de mortalidade no período, com 1.510 registros, seguida por Taubaté (856) e Jacareí (515). Após uma breve estabilidade, os números voltaram a subir de forma preocupante: em 2022, foram 288 mortes; em 2024, 274; e, em 2025, o recorde de 330. O cenário desafiador se estende para o futuro, com o INCA estimando mais de 78 mil novos casos da doença em todo o Brasil entre 2026 e 2028.
O perigo do diagnóstico tardio
Embora o câncer de mama apresente até 95% de chances de cura quando detectado precocemente, a realidade brasileira mostra que mais de 50% dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados (níveis 3 ou 4). O cirurgião oncológico Flávio Salgado alerta que a espera por sintomas visíveis, como nódulos palpáveis ou alterações na pele, compromete severamente o sucesso do tratamento.
Mitos e a importância da prevenção
Um dos erros mais comuns apontados pelo especialista é a negligência com o exame preventivo por ausência de histórico familiar. “Cerca de 85% das mulheres que tratamos não possuem histórico genético. Muitas não fazem a mamografia por acharem que estão seguras, mas sempre existe o primeiro caso”, ressalta Salgado. A recomendação médica é clara: a mamografia deve ser realizada anualmente a partir dos 40 anos.
Como buscar apoio e identificar sinais
Para reverter o quadro de diagnósticos tardios, é fundamental estar atento a sinais como retração na pele, saída de líquido pelo mamilo, inversão mamilar ou inchaço nas axilas. Para pacientes que enfrentam a doença, entidades como a Casa Gesto, em Taubaté, oferecem suporte psicológico e social gratuito para usuários do SUS. A entidade, fundada em 1997, atende diariamente dezenas de pacientes de diversas cidades da região, reforçando a importância do acolhimento durante o tratamento.