Uma operação estratégica da Polícia Civil, realizada entre a quinta-feira (15) e a sexta-feira (16), desarticulou pontos de venda de drogas na Favela da Linha, localizada em São José do Imbassaí, Maricá. Ao todo, quatro adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos durante as diligências na Região Metropolitana do Rio.
Balanço das apreensões e prisões
Durante os dois dias de incursão, os agentes retiraram de circulação 955 porções de entorpecentes, incluindo cocaína, crack, maconha, substância conhecida como “ice” e LSD. Além das drogas, foram apreendidos radiocomunicadores, dinheiro em espécie e anotações contendo chaves Pix, que agora servirão como provas fundamentais para mapear o fluxo financeiro da facção criminosa que domina a área.
Função de ‘olheira’ e táticas de fuga
Entre os detidos na quinta-feira, Jéssica Sabrina Nascimento, de 33 anos, confessou atuar como “olheira” do tráfico. Segundo a polícia, a função da suspeita era alertar os criminosos sobre a aproximação das viaturas, recebendo R$ 100 por cada plantão de 12 horas. Outros suspeitos tentaram escapar das autoridades pulando muros de residências ou escondendo-se sob veículos, mas foram capturados pela equipe policial.
Investigação sobre a liderança de ‘Lobo Mau’
A Polícia Civil aponta que a Favela da Linha é controlada pelo Comando Vermelho. As investigações indicam que Marcos Vinícius Dias Laurindo, o “Lobo Mau”, que já cumpre pena no Complexo de Gericinó, continua exercendo influência sobre a comunidade. O criminoso é suspeito de ordenar a expulsão de empresas de internet da região para instituir uma taxa de cobrança ilegal, obrigando moradores e empresas a utilizarem serviços clandestinos ligados ao tráfico.
Conexão financeira entre pontos de venda
A análise das chaves Pix encontradas nos dois dias de operação sugere uma centralização financeira dos pontos de venda de drogas na localidade. A Polícia Civil abriu um procedimento investigativo em separado para aprofundar a apuração sobre a extorsão praticada contra as empresas de telecomunicações e a estrutura financeira do grupo criminoso, visando desmantelar a rede de comando que, mesmo de dentro do presídio, tenta manter o controle da região.