Idoso morre após filho ser impedido de entrar em hospital no RJ e encontrar porta trancada com cadeado

Um caso de grande repercussão em Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, terminou com a morte de Severino Mouzinho Sales, um idoso que buscava atendimento médico de emergência. A família acusa o hospital de negligência, afirmando que o paciente foi impedido de entrar pela porta principal e, ao ser direcionado a outro acesso, encontrou uma entrada trancada com cadeado.

O relato da família

Segundo Lucas Rocha, neto de Severino, o pai tentou socorrer o idoso, que sofria de tuberculose e apresentava grave falta de ar, por volta das 21h da última segunda-feira (19). Ao chegar ao Hospital Municipal Ângela Maria Simões Menezes, a entrada principal teria sido vetada por um segurança, que orientou o uso de uma porta lateral. O filho, em meio ao desespero ao encontrar o acesso trancado, acabou arrombando a porta para tentar salvar o pai.

Posicionamento da Prefeitura

A Prefeitura de Casimiro de Abreu, por meio da Secretaria de Saúde, contesta a versão da família. Em nota oficial, o órgão afirma que a porta da emergência estava aberta durante todo o tempo e que o acesso restrito era destinado apenas a traumas de bombeiros. Segundo a administração municipal, a equipe tentou abrir a porta lateral em menos de um minuto, mas foi surpreendida pelo arrombamento. A prefeitura também registrou que o paciente já teria chegado sem sinais vitais e denunciou uma agressão física a um funcionário da unidade.

Investigação policial

O caso foi registrado na 121ª Delegacia de Polícia. A delegada Carla Tavares informou que o inquérito apura crimes de vias de fato e desacato. Em um ponto crucial para o caso, a delegada pontuou que o arrombamento da porta, dadas as circunstâncias de desespero para salvar uma vida, pode ser enquadrado como “estado de necessidade”, o que, juridicamente, afasta a ilicitude do dano ao patrimônio público.

Busca por respostas

Enquanto a Polícia Civil segue com as investigações, a família busca entender se houve falha no protocolo de atendimento que impediu o acesso imediato ao socorro. O episódio levanta um debate sobre a segurança em unidades de saúde e a prioridade no atendimento a pacientes em estado crítico, com o governo municipal reafirmando seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos e a integridade de seus profissionais.