Balneário Camboriú registra queda de quase 100% nos casos de dengue após adotar método inovador

Após enfrentar um período crítico marcado por epidemias e 13 mortes entre 2023 e 2024, Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, apresenta um cenário de controle exemplar da dengue. De janeiro a setembro de 2026, a cidade registrou apenas 12 casos da doença, uma queda de 99,8% em comparação aos 7.106 registros contabilizados há dois anos. Além da redução expressiva, o município celebra a marca de nenhum óbito causado pela doença desde 2025.

O impacto do método Wolbachia

Um dos pilares da estratégia de combate foi a introdução do método Wolbachia. A técnica consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, que é inofensiva aos seres humanos. Quando presente no inseto, a bactéria impede que o mosquito desenvolva os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Ao se reproduzirem na natureza, esses mosquitos transmitem a bactéria para as próximas gerações, reduzindo a capacidade de transmissão das doenças.

Ações integradas e capacitação

Além da inovação biológica, a prefeitura intensificou as medidas tradicionais de vigilância. Segundo David Cruz, diretor do Departamento de Vigilância Ambiental, o sucesso é fruto de um conjunto de ações: a aquisição de novos inseticidas, a capacitação constante das equipes de campo e o uso do fumacê em áreas com casos confirmados. A vacinação também desempenhou um papel central, com mais de 3 mil crianças e adolescentes recebendo a primeira dose do imunizante Qdenga.

Fiscalização rigorosa e desafios contínuos

Mesmo com a queda nos números, a vigilância permanece em alerta. Recentemente, uma operação conjunta resultou na retirada de 12 caminhões de entulho de um imóvel no bairro Praia dos Amores, onde foram encontrados focos de larvas do mosquito. A fiscalização de terrenos baldios e o suporte a famílias em situação de vulnerabilidade são fundamentais para impedir que novos focos surjam.

O futuro do controle de arboviroses

Apesar dos resultados otimistas, o balanço oficial sobre a eficácia do método Wolbachia em Balneário Camboriú deve ocorrer apenas dentro de dois a três anos após o fim das liberações. Até lá, a cidade segue focada em manter a curva de contágio baixa, provando que a combinação entre ciência, fiscalização e políticas públicas eficazes é o caminho para garantir mais qualidade de vida e segurança para a população.