Flávio decretou o “fim da era do PT”. Três semanas depois, Lula vira o jogo e conquista novo mandato

Com 51,76% dos votos válidos na parcial da apuração, petista reverte vantagem do primeiro turno. Em Maricá, Washington Quaquá havia previsto vitória com margem entre 51% e 52%.

Por Ricardo Cantarelle

Três semanas depois de afirmar que estava decretado o “fim da era do PT”, o senador Flávio Bolsonaro (PL) viu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virar o resultado do primeiro turno e conquistar uma nova vitória na disputa pela Presidência da República.

Na noite deste domingo, 25 de outubro, a apuração do segundo turno indicava a vitória de Lula. Às 21h27, com 99,87% das urnas apuradas, o petista registrava 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro, segundo dados divulgados durante a totalização eleitoral.

O resultado representa uma reviravolta em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Naquela ocasião, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença inicial, superior a dois milhões de votos, não foi suficiente para garantir a vitória do candidato do PL.

A declaração que marcou a campanha

Após o resultado do primeiro turno, Flávio Bolsonaro comemorou a liderança e fez uma declaração que ganhou repercussão nacional.

“Está decretado o fim da era do PT”, afirmou o senador, que apostava na possibilidade de encerrar o ciclo político de Lula na Presidência.

A frase passou a representar a confiança da campanha bolsonarista no resultado final. Entretanto, a disputa do segundo turno demonstrou que a vantagem inicial não garantia a vitória.

A mudança no placar aconteceu durante a apuração deste domingo. Lula liderou as primeiras parciais, foi ultrapassado por Flávio e posteriormente recuperou a dianteira. A diferença foi aumentando à medida que novas seções eleitorais tiveram seus resultados totalizados.

A virada chamou atenção porque, desde a redemocratização, nenhum candidato presidencial havia terminado o primeiro turno na segunda colocação e vencido a disputa no segundo. O resultado de 2026 marca, portanto, um episódio inédito na história recente das eleições presidenciais brasileiras.

A previsão de Quaquá em Maricá

Em Maricá, o prefeito Washington Quaquá havia previsto, em conversa com o jornalista Ricardo Cantarelle, da TV Copacabana, que Lula venceria a eleição com uma margem entre 51% e 52%.

A declaração ganha relevância diante do resultado registrado durante a apuração. Com 51,76% dos votos válidos na parcial consultada, Lula ficou dentro da faixa apontada pelo prefeito.

A previsão foi feita em um cenário de disputa acirrada, no qual pesquisas e avaliações políticas apresentavam diferentes perspectivas sobre o comportamento do eleitorado no segundo turno.

Para a TVC, a conversa representa um elemento próprio da cobertura eleitoral em Maricá, aproximando o resultado nacional das avaliações feitas por lideranças políticas locais.

A comparação entre a previsão e o resultado deve considerar, contudo, os números definitivos da totalização oficial.

Mobilização eleitoral e disputa voto a voto

A campanha do segundo turno foi marcada pela mobilização dos dois campos políticos, pela disputa nas redes sociais e pela tentativa de conquistar eleitores que ainda estavam indecisos ou que não haviam comparecido à primeira votação.

O resultado do primeiro turno havia colocado Flávio Bolsonaro em posição favorável, mas a campanha decisiva exigiu uma nova estratégia das duas candidaturas.

Lula buscou ampliar sua base eleitoral e defender a continuidade de suas políticas sociais. Flávio, por sua vez, procurou transformar a liderança inicial em uma vitória definitiva, apresentando propostas de mudança na administração federal.

A discussão sobre gastos públicos, impostos, aposentadorias e programas sociais também ocupou espaço no debate eleitoral. As campanhas apresentaram interpretações distintas sobre as consequências de suas propostas para a economia e para a população.

A abstenção foi outro fator importante. Na parcial de 21h27, o painel eleitoral registrava aproximadamente 30,4 milhões de abstenções, equivalentes a 19,21% do eleitorado considerado naquela etapa da apuração. O número corresponde ao segundo turno e não deve ser confundido com os dados da primeira votação.

A polêmica sobre o horário de votação

O segundo turno também foi marcado por uma situação excepcional relacionada ao encerramento da votação.

O Tribunal Superior Eleitoral informou que, conforme decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, a votação continuaria nos locais em que ainda não havia sido encerrada às 17h.

Em comunicado divulgado às 18h44, o TSE esclareceu que a medida não significava a reabertura generalizada das seções eleitorais. A votação continuaria nos locais abrangidos pela decisão, e o recebimento dos boletins de urna, a totalização dos votos e a divulgação dos resultados seriam retomados após as 19h.

A decisão provocou repercussão e questionamentos sobre os procedimentos adotados durante o encerramento da votação. A avaliação de eventuais críticas de integrantes da Justiça Eleitoral, porém, depende da identificação das manifestações e dos documentos correspondentes.

A sequência dos acontecimentos tornou-se parte da cobertura do segundo turno, que já estava sob atenção nacional devido à disputa apertada e às mudanças na liderança durante a apuração.

O desafio político a partir de 2027

A vitória presidencial não encerra a disputa política. O próximo governo terá de lidar com um Congresso Nacional no qual o PL ampliou sua representação.

O partido elegeu 121 deputados federais e 19 senadores em 2026. Somados aos senadores que já possuem mandato e permanecem na Casa, a legenda deverá contar com 28 integrantes no Senado a partir de 2027.

A bancada será expressiva, mas não terá maioria absoluta sozinha na Câmara dos Deputados, composta por 513 parlamentares. Para aprovar projetos e construir uma base de apoio, o governo precisará negociar com diferentes partidos e grupos políticos.

Esse cenário indica que a relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso continuará sendo um dos principais desafios da política brasileira. Mesmo após a definição da Presidência, as disputas sobre orçamento, programas sociais, reformas e prioridades administrativas devem permanecer no centro do debate.

Um novo capítulo na trajetória de Lula

Lula venceu as eleições presidenciais de 2002, 2006, 2022 e 2026. Com o novo resultado, chega à quarta vitória em eleições presidenciais diretas.

O próximo mandato está previsto para começar em 5 de janeiro de 2027. Nascido em 27 de outubro de 1945, Lula completará 81 anos dois dias após a data desta apuração.

A trajetória do petista, que inclui dois mandatos consecutivos, um longo período fora da Presidência e o retorno ao cargo em 2023, ganha um novo capítulo com a vitória de 2026.

A eleição também reforça a polarização política que marca o país. De um lado, Lula conquistou votos suficientes para assegurar a continuidade de seu projeto de governo. Do outro, Flávio Bolsonaro consolidou uma votação expressiva e o PL ampliou sua presença no Congresso, mantendo força para atuar como oposição.

TVC acompanha os desdobramentos

A TV Copacabana continuará acompanhando os pronunciamentos dos candidatos, as reações das lideranças políticas e os efeitos do resultado sobre o cenário nacional e fluminense.

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro demonstrou que uma vantagem no primeiro turno não garante a vitória final. A mudança no comportamento eleitoral durante a campanha decisiva alterou o cenário e definiu o resultado da eleição.

Em Maricá, a previsão feita por Washington Quaquá acrescenta um componente local à cobertura nacional, enquanto o novo mandato presidencial abre uma etapa de negociações e disputas políticas que terá reflexos em todo o país.