O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta terça-feira (27). Em declarações contundentes, o chefe do Executivo classificou como “vergonhosa” a decisão do senador de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos após o período eleitoral, traçando um paralelo direto com as próprias experiências jurídicas vividas durante a Operação Lava Jato.
A comparação com a Lava Jato
Lula recordou que, quando foi alvo de investigações, optou por permanecer no país, mesmo recebendo convites para buscar refúgio em embaixadas. “Tive muitos convites para sair do Brasil, mas me entreguei à Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores. Quem não deve, não teme”, afirmou. Para o presidente, a saída de Flávio do território nacional é um sinal de que o senador “deve alguma coisa” à Justiça brasileira.
Críticas à transparência do senador
O petista também relembrou episódios anteriores em que tentou, segundo ele, incentivar o senador a provar sua honestidade por meio da entrega de documentos sobre quebras de sigilo. Lula acusou o parlamentar de falta de compromisso com a verdade e criticou duramente a postura da família Bolsonaro, afirmando que, para eles, o Brasil seria apenas uma “segunda pátria”, enquanto a prioridade seria uma suposta subserviência aos interesses americanos.
O cerco judicial de Alexandre de Moraes
A polêmica ganha contornos mais graves devido às ordens judiciais expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado havia determinado a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro e proibido sua saída do país. O descumprimento desta ordem motivou parlamentares do PT a solicitarem a prisão preventiva do senador e a inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol.
Histórico de restrições à família Bolsonaro
O episódio com Flávio se soma a uma série de medidas impostas por Moraes a outros membros da família. Desde julho de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrentou buscas, uso de tornozeleira e, posteriormente, teve sua prisão preventiva decretada após descumprimentos judiciais. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também se encontra sob sanções, incluindo mandado de prisão por coação no curso de um processo, além de condenações por declarações proferidas contra parlamentares, consolidando um cenário de alta tensão jurídica envolvendo o clã Bolsonaro.