Mounjaro e Ozempic podem retardar o envelhecimento biológico? Entenda o que dizem os novos estudos

Os medicamentos Mounjaro (tirzepatida) e Ozempic (semaglutida), amplamente conhecidos pelo controle do diabetes e auxílio na perda de peso, estão no centro de uma nova frente de investigação científica: a possível influência no processo de envelhecimento humano. Estudos recentes, apresentados em conferências especializadas, sugerem sinais de desaceleração do envelhecimento biológico, embora a comunidade médica mantenha cautela sobre o tema.

O que revelam os relógios epigenéticos

Pesquisas conduzidas pelas fabricantes Eli Lilly e Novo Nordisk utilizaram tecnologias chamadas de “relógios epigenéticos” para medir a idade biológica. No estudo da Eli Lilly, participantes que usaram tirzepatida apresentaram uma progressão da idade biológica menor do que a cronológica após 72 semanas. Já a análise da Novo Nordisk indicou que usuários de semaglutida tiveram uma redução estimada de dois a quatro anos na idade biológica de órgãos vitais, como coração, pulmões e cérebro, em comparação ao grupo placebo.

Resultados promissores em modelos animais

A hipótese foi reforçada por testes em camundongos realizados na Universidade da Califórnia em Berkeley. Animais de idade avançada que receberam semaglutida não apenas perderam peso, mas apresentaram maior expectativa de vida em comparação ao grupo de controle. Além disso, os camundongos tratados mostraram melhor desempenho em testes de raciocínio e controle glicêmico, superando, em alguns aspectos, os benefícios obtidos apenas pela restrição calórica.

A dúvida central: perda de peso ou ação direta?

Apesar dos dados animadores, um ponto crucial permanece em aberto: os efeitos observados são causados por um mecanismo direto do medicamento contra o envelhecimento ou são apenas reflexos da melhora na saúde metabólica e da perda de peso? Como o emagrecimento reduz o estresse sobre os órgãos, é difícil isolar se a longevidade é um efeito colateral positivo da saúde restaurada ou uma propriedade específica das substâncias GLP-1.

Por que ainda não podemos considerar terapia antienvelhecimento

Especialistas reforçam que os estudos ainda são preliminares, muitos não foram revisados por pares e contaram com amostras reduzidas. Além disso, não há evidências de que os benefícios se apliquem a pessoas saudáveis sem obesidade ou diabetes. Transformar esses fármacos em terapias antienvelhecimento exigiria ensaios clínicos de longo prazo para provar que a redução da idade biológica, calculada por softwares, realmente se traduz em mais anos de vida com qualidade para o ser humano.