O Pantanal brasileiro conta com um aliado tecnológico fundamental para a preservação de sua biodiversidade: a inteligência artificial. Há quatro anos, o sistema tem sido peça-chave para identificar focos de incêndio ainda no estágio inicial, permitindo uma resposta rápida das brigadas e equipes de combate.
Expansão da área monitorada
Recentemente, o sistema de monitoramento passou por uma modernização significativa. Com a instalação de novos equipamentos na Serra do Amolar, em Mato Grosso do Sul, e a construção de uma nova torre no Mato Grosso, a área coberta pela tecnologia cresceu 25%. Hoje, quase 2 milhões de hectares são vigiados permanentemente pelo sistema.
Como funciona a detecção em tempo real
A tecnologia utiliza câmeras de longo alcance instaladas em pontos estratégicos e elevados. Equipadas com zoom potente e alta nitidez, as lentes conseguem detectar colunas de fumaça a até 30 quilômetros de distância. As imagens são processadas pelo sistema ‘Pantera’, que utiliza inteligência artificial para distinguir a fumaça de outros elementos da paisagem. Segundo especialistas do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), o sistema é capaz de detectar um foco de fogo em apenas três minutos.
Proteção de áreas estratégicas
O monitoramento é vital para regiões de difícil acesso, onde o deslocamento só é possível por meio fluvial. O foco principal é a proteção de áreas de conservação, como parques nacionais e locais reconhecidos como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. A preservação desses refúgios é crucial, dado o aumento preocupante nas estatísticas de queimadas registradas entre janeiro e setembro de 2026, que superaram em 129% o volume observado no mesmo período do ano anterior.
Agilidade na ação preventiva
A central de monitoramento, localizada em Corumbá, recebe as informações em tempo real. Essa agilidade é o diferencial que separa um pequeno foco de um incêndio de grandes proporções. Ao reduzir drasticamente o tempo entre o surgimento da fumaça e o alerta, a inteligência artificial tem se consolidado como a ferramenta mais eficaz para garantir que a fauna e a flora pantaneiras sobrevivam aos períodos de seca extrema.