Advogado de Eduardo Bolsonaro Gerenciou Fundo Usado em Filme sobre Jair, Declara Flávio Bolsonaro

Advogado de Eduardo Bolsonaro é apontado como gestor de fundo para filme

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta quinta-feira (14) que o advogado de Eduardo Bolsonaro é o responsável pela gestão do fundo que financiou a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o senador, todos os recursos aportados foram integralmente utilizados para a realização do longa.

“Não foi dinheiro para Eduardo. Todos os recursos que foram aportados foram utilizados (…). Não sei exatamente qual é o nome do fundo. Esse dinheiro foi integralmente utilizado para fazer o filme. Mas, para construir uma estrutura dessa, é necessário contratar um advogado — um advogado confiável, de confiança de Eduardo Bolsonaro, que cuidou do seu green card”, declarou Flávio Bolsonaro em entrevista à Globonews.

Investigação da PF e suspeitas de repasse de verbas

O parlamentar tem negado veementemente que a verba destinada ao filme tenha sido repassada a Eduardo Bolsonaro para custear sua estadia nos Estados Unidos. Essa linha de investigação, inclusive, é uma das frentes de apuração da Polícia Federal (PF). A suspeita surgiu após a produtora do filme ter negado o recebimento de recursos do banco Master, informação que contrasta com a transferência de US$ 2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado pelo advogado ligado à defesa de Eduardo Bolsonaro.

“Se foi algum recurso para o escritório de advocacia, eu não sei se foi, porque não sei de detalhes. Esse advogado é gestor desse fundo e é uma pessoa que é de confiança do Eduardo Bolsonaro, porque fez todo esse procedimento”, complementou Flávio, classificando o acordo como “absolutamente normal”.

Contrato de Confidencialidade e Omissão de Contato

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro explicou que omitiu o contato com Daniel Vorcaro, dono do banco Master, em decorrência de um contrato de confidencialidade. Ele afirmou ter conhecido o banqueiro em dezembro de 2024, por intermédio do empresário Thiago Miranda, e que qualquer relação com Vorcaro se restringe a assuntos relacionados ao filme.

“Eu não falei que é mentira, eu tenho contrato de confidencialidade. Eu não tenho nenhum contato com Vorcaro, a não ser para falar de filme (…). Eu não podia descumprir os contratos. Se eu falasse que conhecia, teria que explicar qual era a relação, mas quis me preservar. Essa cláusula é importante.”

Medo de Perseguição Política Leva Investidores ao Anonimato

O senador também alegou que os contratos envolviam outros investidores que, assim como ele, possuíam cláusulas de confidencialidade. Segundo Flávio, esses outros dez investidores optaram por manter o anonimato por “medo” de perseguição política.

“Os outros dez investidores, ninguém quer aparecer, todos têm contrato de confidencialidade, porque têm medo”, disse o senador, justificando a necessidade de sigilo em torno do financiamento do filme.