Alerj rompe com pressão judicial e decide revogar prisão de Rodrigo Bacellar; votação expõe racha entre partidos

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro protagonizou nesta segunda-feira (8) uma das sessões mais tensas do ano.

Por 42 votos a favor e 21 contra, os deputados aprovaram o projeto que revoga a prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), detido pela Polícia Federal na semana passada. A decisão agora seguirá para análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá manter a libertação, aplicar novas medidas cautelares ou restabelecer a prisão.

Apoios, dissidências e um plenário dividido

A votação que inicialmente parecia previsível revelou fraturas internas em diversas bancadas. O PL e o União Brasil votaram majoritariamente pela soltura de Bacellar, enquanto PT e PSOL se opuseram. Mas a sessão reservou movimentos inesperados:

*Carla Machado (PT) votou a favor da soltura, contrariando a posição oficial do partido.
Célia Jordão, Douglas Gomes e Marcio Gualberto (todos do PL) foram contra, divergindo da orientação que prevaleceu na legenda.

O delegado Carlos Augusto (PL) se absteve.
E três parlamentares Cláudio Caiado (PSD), Filipe Soares (União) e Vinicius Cozzolino (União) estiveram ausentes.

A condução da sessão ficou a cargo de Guilherme Delaroli (PL), atual primeiro vice-presidente da Alerj. Caso o STF volte a determinar a prisão de Bacellar, será Delaroli quem assumirá interinamente o comando da Casa.

O que motivou a prisão

Bacellar foi preso durante desdobramentos da Operação Zargun, que investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas à prisão do ex-deputado TH Joias (MDB), acusado de atuar como braço político do Comando Vermelho.

A PF apura se o presidente da Alerj teria interferido ou alertado investigados sobre ações iminentes.

E o que acontece agora?

Com a aprovação do projeto, a decisão será enviada ao STF. A Corte definirá se:

confirma a revogação,
impõe medidas como tornozeleira eletrônica ou suspensão de funções, ou
determina nova prisão preventiva.

Como votou cada deputado

Abaixo, o painel completo da votação:

Votaram SIM:
Alan Lopes (PL), Alexandre Knoploch (PL), Andre Correa (PP), Arthur Monteiro (União), Brazão (União), Bruno Boaretto (PL), Carla Machado (PT), Carlinhos BNH (PP), Carlos Macedo (Republicanos), Chico Machado (Solidariedade), Daniel Martins (União), Danniel Librelon (Republicanos), Dr. Deodalto (PL), Dr. Pedro Ricardo (PP), Elton Cristo (PP), Fábio Silva (União), Felipinho Ravis (Solidariedade), Filippe Poubel (PL), Franciane Motta (Podemos), Fred Pacheco (PMN), Giovani Ratinho (Solidariedade), Giselle Monteiro (PL), Guilherme Delaroli (PL), India Armelau (PL), Jorge Felippe Neto (Avante), Julio Rocha (Agir), Lucinha (PSD), Marcelo Dino (União), Munir Neto (PSD), Rafael Nobre (União), Renato Miranda (PL), Ricardo da Karol (PL), Rodrigo Amorim (União), Samuel Malafaia (PL), Sarah Poncio (Solidariedade), Thiago Gagliasso (PL), Thiago Rangel (PMB), Tia Ju (Republicanos), Val Ceasa (PRD), Valdecy da Saúde (PL), Vitor Junior (PDT), Renan Jordy (PL).

Votaram NÃO:
Atila Nunes (PSD), Carlos Minc (PSB), Célia Jordão (PL), Dani Balbi (PCdoB), Dani Monteiro (PSOL), Douglas Gomes (PL), Elika Takimoto (PT), Flavio Serafini (PSOL), Jari Oliveira (PSB), Lilian Behring (PCdoB), Luiz Paulo (PSD), Marcio Gualberto (PL), Marina do MST (PT), Prof. Josemar (PSOL), Renata Souza (PSOL), Renata Machado (PT), Rosenverg Reis (MDB), Sergio Fernandes (PSD), Verônica Lima (PT), Yuri (PSOL), Zeidan (PT).

Abstenções:
Delegado Carlos Augusto (PL), Rafael Picciani (MDB).

Ausentes:
Cláudio Caiado (PSD), Filipe Soares (União), Vinicius Cozzolino (União).
Dionísio Lins (PP)** estava em licença médica.